O ministro da Saúde, Paulo Macedo, garantiu hoje que os hospitais da Grande Lisboa têm capacidade para receber os doentes infetados pelo surto de legionella e admitiu que o número de casos vai aumentar.

Segundo o governante, a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo tem «desviado doentes para que o hospital de Vila Franca de Xira [onde se registam a grande maioria dos casos] tenha sempre capacidade de receber doentes adicionais, ou seja, antes que seja esgotada a capacidade do hospital, que é um hospital médio», disse o governante.

Paulo Macedo falava aos jornalistas no final de uma reunião de emergência de diversas entidades para avaliar o surto provocado pela bactéria, que causa pneumonias graves, e que disse estar concentrado no concelho de Vila Franca de Xira.

Há doentes a serem encaminhados para as unidades hospitalares de Lisboa Central e Lisboa Norte, afirmou o ministro, que sublinhou que não existe «neste momento qualquer problema com camas de ventilação».

«Primeiro mobilizamos os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo e ainda temos aqui capacidade», assegurou, recordando que está no terreno «desde o início» um plano de contingência, que envolve ainda outros hospitais, como «o caso de Lisboa Ocidental e o Fernando da Fonseca [Amadora-Sintra]».

«Estamos a abrir camas em algumas áreas, nomeadamente no Pulido Valente, e no hospital de Lisboa Central podemos abrir camas para doentes não ventilados», mencionou o responsável da Saúde.

Os hospitais, acrescentou, «têm respondido exemplarmente».

O ministro disse ainda que as autoridades estão à espera que surjam mais casos e remeteu para esta segunda-feira uma nova atualização do número de casos.

Macedo salientou ainda que «a evidência neste momento» aponta que o surto está concentrado em Vila Franca de Xira e, mais concretamente, nas freguesias de Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Forte da Casa. Quanto aos casos de infetados que não residem nestas localidades, o ministro afirmou que são pessoas que «estão relacionadas com Vila Franca de Xira».

O governante disse que o surto, que já causou 160 infeções e quatro mortes confirmadas, em 180 casos suspeitos, é «uma situação verdadeiramente anormal».

«É um surto de grande dimensão em termos europeus e em termos mundiais», reconheceu o ministro, que adiantou no entanto que o comportamento da infeção tem sido «o expectável».

Segundo Macedo, os quatro óbitos causados pela infeção pela bactéria ocorreram em pessoas «com várias comorbilidades», enquanto a quinta morte registada é uma «suspeita não confirmada» de ter sido causada pela legionella.

Trata-se do caso de «uma pessoa que tinha também outro tipo de doenças, designadamente cardiopatias, hipertensão arterial e pneumonia», pelo que «não ficou o caso confirmado, mas há um óbito de uma pessoa que tinha várias comorbilidades», explicou.

Dos casos que chegam ao hospital, cerca de oito por cento são encaminhados para os cuidados intensivos ou para a ventilação, e muitos descem depois de gravidade, referiu o governante, que acrescentou que «já houve pessoas que melhoraram» e que a medicação, designadamente por antibióticos, está a fazer efeito.

O ministro mencionou ainda que a doença afeta principalmente pessoas entre os 30 e os 90 anos e que é «raríssimo haver casos em crianças».