O ex-secretário de Estado e antigo presidente da Câmara de Penela Paulo Júlio negou esta terça-feira, no Tribunal de Condeixa-a-Nova, ter pretendido beneficiar um funcionário daquela Câmara, que venceu um concurso público na autarquia, em 2008.

«Não quis em momento algum beneficiar o doutor Mário Duarte», declarou o ex-presidente da Câmara de Penela, distrito de Coimbra, que está acusado pelo Ministério Público de um crime de prevaricação e que em 2011 abandonou as funções autárquicas para integrar o Governo de Pedro Passos Coelho como secretário de Estado da Administração Local.

Primo em sexto grau de Mário Duarte, o dirigente social-democrata Paulo Júlio várias vezes se irritou com o magistrado do Ministério Público (MP), quando este, ao iniciar as perguntas, se referia ao licenciado em História de Arte como «o seu primo».

Há seis anos, no âmbito de um concurso interno aberto a candidatos com vínculo à administração pública, Mário Duarte ascendeu ao cargo de chefe de divisão da autarquia para a área da Cultura e do Património.

Interrogado pela juíza, o antigo governante negou que tenha, de alguma forma, procurado «subverter as regras do concurso» com o objetivo de beneficiar Mário Duarte, trabalhador do município desde os anos 80 do século XX.

«Nunca foi essa a minha intenção» sublinhou Paulo Júlio, que há quase dois anos renunciou à função governativa na sequência desta acusação, da qual chegou a ser ilibado pelo Tribunal de Instrução Criminal de Coimbra, como recorda a Lusa.