O alegado duplo homicida de Alexandra Neno e Diogo Ferreira confessou à juíza de Instrução a autoria das duas mortes. «Quis sentir a adrenalina de disparar», disse Paulo Almeida, que precisou de apenas meia hora para explicar à juíza como tinha realizado os dois homicídios e as motivações.

Paulo Almeida confirmou perante a magistrada a versão que já antes tinha dito à Polícia Judiciária. O «Correio da Manhã» teve acesso ao primeiro interrogatório judicial de Paulo Almeida e ao depoimento na PJ em que revela como tudo aconteceu naquele dia 29 de fevereiro de 2008.

Homicida de Diogo Ferreira e Alexandra Neno entregou-se à PSP

Segundo a edição desta terça-feira do diário, o ex-segurança, que se entregou no dia 21 de novembro às autoridades, já tinha a pistola há cinco anos quando resolveu utilizá-la pela primeira vez. Estava guardada no guarda-fatos. Tinha dado 150 euros por ela. Naquele dia pensou que ou «se matava ou ia fazer um assalto». Escolheu a segunda opção e a primeira vítima: Alexandra Neno estava dentro do carro, a falar ao telemóvel e com o vidro aberto.

Paulo Almeida garantiu que só queria roubar-lhe o telemóvel, mas que «ela gritou, buzinou». Ainda lhe teria dito: «ou calas-te ou mato-te». A mulher continuou a gritar e Paulo Almeida atingiu-a. A mulher desfaleceu e ele abandonou o local a correr.

«Passei junto a um rio e pensei atirar a arma para lá. Só queria esquecer o que se passou.», revelou na reconstituição do crime.

Alexandra foi morta em Sacavém, à porta de casa, não muito longe do sítio onde Paulo Almeida vivia com a mulher e a filha. Foi para casa, mas continuava nervoso, porque, como afirmou, «já tinha feito uma asneira».

Voltou a sair e desta vez seguiu para Oeiras. Paulo Almeida era, à data, segurança no parque de estacionamento do centro comercial Oeirasparque. O duplo homicida confesso revelou que só queria destruir o carro do supervisor, que o tinha apanhado a dormir durante o horário de trabalho e que, por esse motivo, temia ser despedido. Só que, surpreendido por Diogo Ferreira e o amigo, Paulo Almeida disparou. Segundo o «CM», o ex-segurança não conseguiu explicar à magistrada por que atirou à cabeça de Diogo e que ainda teria pedido ao rapaz para se ir embora.

«Não sei muito bem por que motivo isto acontece, mas muitas vezes perco o controlo em situações de tensão e depois tenho atitudes muito violentas», admitiu Paulo Almeida à juíza da Instrução. O segurança estava de baixa e já tinha sido acompanhado no Hospital Júlio de Matos devido aos problemas psiquiátricos. Apesar disso, apurou o «CM», o homem ilibou a mulher de qualquer culpa, afirmando que ela desconhecia que ele era o autor dos homicídios ou até que sabia que tinha uma pistola.

Duplo homicida ameaçou chefe com tiros

No entanto, o homem de 35 anos negou ter usado uma arma antes. Quando Paulo Almeida se entregou às autoridades, entregou também a arma e as munições. Segundo o «CM», o homem dizia ter comprado a arma com 15 munições, mas entregou apenas dez. Faltam cinco balas. Duas atingiram as vítimas e uma terceira um carro em movimento, mas o paradeiro das outras duas é desconhecido.

Cinco anos depois, Paulo Almeida entregou-se às autoridades após ligar para o 112. Assumiu que já o tinha feiro antes, mas que desistiu. «Naquela manhã pensei: vai ser hoje. E foi o que fiz». A juíza decretou a prisão preventiva. Está detido em Caxias.