A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, disse, esta sexta-feira, que a reabertura do caso de desaparecimento de Madeleine McCann, em 2007, no Algarve, se deve à Polícia Judiciária (PJ), e negou qualquer pressão britânica.

«A PJ desenvolveu diligências que permitiram a reabertura deste processo», salientou a governante, acrescentando que «é fácil compreender» esse facto, através «dos comunicados da Procuradoria-Geral da República e da PJ».

«Há, muitas vezes, crimes quase perfeitos e nem todos são descobertos em todo o mundo. Temos de ter a noção de que, se a PJ pediu a reabertura, tem bons motivos para o fazer. E temos de nos orgulhar, porque, se a PJ tem bons motivos, não esteve quieta este tempo todo», defendeu.

Paula Teixeira da Cruz falou aos jornalistas, após o encerramento da Conferência Internacional sobre Tráfico de Pessoas, organizada pelo Centro de Estudos Judiciários, em Lisboa.

A ministra vincou que «há muitas formas de tráfico e muitas formas de traficar pessoas» e admitiu que, face à crise económica e financeira mundial, «é evidente que estas redes de tráfico de seres humanos e as situações se aprofundem» e se tornem «mais sofisticadas».

Dando como exemplo os casos de Lampedusa, a ilha italiana que se transformou num dos principais pontos de entrada da imigração clandestina de África, na Europa, Paula Teixeira da Cruz sublinhou a existência de «pessoas sem nenhuma alternativa de vida», que «aceitam ser traficadas».

«É uma aceitação de revolta, mas é preferível a vida nenhuma», afirmou.

Também presente no encerramento da conferência, a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, revelou o número provisório de 164 vítimas de tráfico de seres humanos, sinalizadas em Portugal em 2013, quando falta apenas contabilizar um trimestre.

Teresa Morais disse que o Governo está a preparar um novo plano sobre esta realidade, que deverá ficar completo no final do ano.