O Instituto de Segurança Social diz que nunca teve conhecimento de uma carta com denúncia de irregulares na Federação das Doenças Raras (FEDRA), a outra associação da ex-presidente da Raríssimas.

Mas um documento a que a TVI teve acesso desmente o instituto, sob tutela de Vieira da Silva, e confirma que a carta foi recebida a 16 de janeiro.

Os próprios funcionários da FEDRA acham “estranho” que a denúncia tenha desaparecido e acusam, pela primeira vez, numa entrevista, Paula Brito da Costa de fazer uma vida de luxo com dinheiro da Federação das Doenças Raras.

“Objetivamente, não é plausivel que uma carta desapareça na Segurança Social”, diz Luís Quaresma, vice-presidente da FEDRA.

Este é um mistério ainda por resolver e nem o ministro Vieira da Silva o esclarece.

Durante um evento público, esta quinta-feira, os jornalistas foram avisados que o ministro faria apenas uma declaração, sem direito a perguntas.

“Estou completamente tranquilo com a minha atuação ao longo destes anos, quer fora quer dento do Governo.”

Vieira da Silva escuda-se na audição parlamentar, na próxima segunda-feira, para pouco dizer.

Na entrevista, o vice-presidente da Federação das Doenças Raras revela que Paula Brito da Costa alugava um carro topo de gama à custa da FEDRA para uso pessoal.

“Esse carro era sempre usado pela presidente. Andei nele duas ou três vezes, mas sempre com ela.”

Também as viagens levantaram dúvidas dentro da federação, como por exemplo uma ida com o filho aos Estados Unidos.

Foram pedidas explicações, que nunca chegaram.

“Ela abandonou a reunião e aguardámos sempre que desse explicações”, conta Isabel Pereira, vogal da FEDRA.

Entre as despesas pagas pela Federação das Doenças Raras está também uma viagem com o marido ao Brasil e um spa no valor de quase 400 euros.