A segunda comandante operacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), Patrícia Gaspar, deu hoje o incêndio que lavra há uma semana em Monchique como dominado, mas sublinhou que ainda não é o momento de cruzar os braços.

Em declarações numa conferência de imprensa em Monchique, Patrícia Gaspar disse ainda que o incêndio tem ainda uma vasta área afetada e que é preciso "manter a energia e a dedicação" para prosseguir com a consolidação do trabalho feito e responder com prontidão a eventuais reativações.

Apesar de termos o incêndio dominado, não é momento de cruzar os braços. Temos um vasto perímetro e área afetada, temos de ter toda a energia e dedicação para que nas próximas horas e dias consigamos manter a consolidação de todo o perímetro, podendo responder às reativações que deverão entretanto surgir para que nada se estrague e que não se ponha em causa o trabalhao feito até agora. Não existe risco significativo do incêndio sair da área que afetou. É natural que tenhamos pontos quentes que possam originar pequenas reativações, o que não significa que o incêndio possa reativar."

Patricia Gaspar recordou que o dia de hoje será ainda adverso em termos de condições climatéricas, com um previsível aumento da temperatura.

Temos um dia adverso, com o aumento da temperatura, redução da humidade relativa do ar e a próxima noite não apresenta a mesma recuperação. Vamos ter índices de humidade relativa baixos. Continuámos com risco de incêndio, todo o cuidado é pouco e vamos manter todo o dispositivo no terreno."

A comandante salientou ainda que "todo o perímetro de São Marcos da Serra até Messines, o flanco este, é o que merece mais atenção" e é onde há mais meios: "É essa a nossa maior preocupação".

A proteção civil atualizou ainda o número de feridos de 39 para 41, um deles em estado grave. 22 destes feridos são bombeiros.

Neste momento há 49 deslocados e a Proteção Civil garantiu que está a ser feito o esforço "para grande parte deles regressar às habitações em segurança e de forma organizada". Dos 49, 20 pessoas estão em Monchique, 14 em Sagres, 13 em Marmelete e 12 acamadas em unidades de cuidados diferenciados.

O incêndio de Monchique já destruiu cerca de 27.000 hectares, segundo os dados mais recentes disponibilizados pelo Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS), tornando-o no maior este ano em Portugal.

Este ano, o maior incêndio, em termos de área ardida, que se tinha verificado em Portugal era o que deflagrou em fevereiro na Guarda, onde arderam 86 hectares.

Segundo os dados do EFFIS, as chamas em Monchique já destruíram 26.957 hectares, mais de metade dos 41 mil que arderam na mesma região em 2003, nos concelhos de Monchique, Portimão, Aljezur e Lagos.

No ano passado, as chamas destruíram mais de 440 mil hectares, o pior ano de sempre em Portugal, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Quanto aos maiores incêndios em termos de área ardida ocorridos no ano passado, no topo da lista aparece o que teve origem no dia 15 de outubro, em Seia/Sandomil, no distrito da Guarda, que destruiu 43.191 hectares.