O autor de uma petição pela demissão do primeiro-ministro, com cerca de 19.000 assinaturas, vai entregar o documento, no domingo, no Palácio de Belém, por sugestão da Assembleia da República, que se declarou incompetente «para demitir o Governo».

O engenheiro Luís Moreira, militante do BE de 52 anos, mas cuja iniciativa é a título individual, devido à polémica acerca da carreira contributiva de Pedro Passos Coelho, já recolheu cerca 19.000 assinaturas em 10 dias (quase 2.000 por dia), disse hoje à agência Lusa que vai deslocar-se a Belém, no domingo, pelas 15:00, para entregar o documento, conforme instruções dos serviços da Presidência da República.

«Falei telefonicamente e disseram-me que há sempre oficiais ou agentes de serviço. Não estou à espera de ser recebido pelo Chefe da Casa Civil, mas garantiram-me que qualquer documentação pode ser registada, rececionada e que seguirá os seus trâmites», descreveu.

A iniciativa é consequência de uma resposta da Divisão de Apoio às Comissões (Parlamentares) da Assembleia da República à missiva de segunda-feira por parte de Luís Moreira. Com a ajuda dos gestores do site, foi possível cruzar os nomes dos apoiantes com os respetivos números de identificação de cerca de 5.000 cidadãos e voltar a submeter o texto, com esse formalismo assegurado, depois de uma primeira carta em que era pedida a Assunção Esteves a discussão do tema em plenário.

«Entende-se não ser a Assembleia da República o órgão competente para apreciar a petição, visto não estar nas suas competências a demissão do primeiro-ministro», lê-se na resposta do parlamento, que não viu «qualquer vantagem na remessa da petição em causa a uma comissão (parlamentar), sendo preferível que os peticionários dirijam a sua petição diretamente ao órgão competente para demitir o Governo - o Presidente da República».

Ainda segundo o texto da AR, a petição foi enviada a todos os grupos parlamentares para, «caso o entendam, exerçam o seu poder de iniciativa, nomeadamente em termos de apresentação de uma moção de censura ao Governo».

A legislação estipula que «qualquer petição subscrita por um mínimo de 1.000 cidadãos é, obrigatoriamente, publicada no Diário da Assembleia e, se for subscrita por mais de 4.000 cidadãos, é apreciada em plenário da Assembleia», embora o texto em causa se dirija a Cavaco Silva.

Aquelas iniciativas têm de ser apreciadas pelas comissões parlamentares competentes, as quais devem produzir um relatório em 60 dias, incluindo a proposta das medidas julgadas adequadas, nomeadamente aos ministros respetivos e outras entidades.

O texto intitula-se «Demissão imediata do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho» e cita ainda vários artigos da Constituição da República Portuguesa para justificar o seu objetivo.