O Parlamento aprovou esta quarta-feira um voto de pesar, com a abstenção do CDS-PP, pela morte do jornalista Alípio de Freitas, "um lutador de toda uma vida pela liberdade e pela emancipação do povo pobre".

O texto apresentado pelo BE, PS, PEV e PAN obteve o voto favorável de todas as bancadas, com a exceção do CDS-PP que se absteve, tendo sido feito um minuto de silêncio após a votação.

A Assembleia da República "exprime o seu pesar pela morte de Alípio de Freitas e manifesta aos seus familiares e amigos a sua solidariedade".

Homem de grande firmeza' - assim o cantou Zeca Afonso. E assim era Alípio de Freitas", refere o voto de pesar, que destaca que o jornalista "foi um lutador de toda uma vida pela liberdade e pela emancipação do povo pobre".

De Bragança ao Brasil

O Parlamento refere que Alípio de Freitas "foi português e foi brasileiro" e que "com uma coragem invulgar, enfrentou as oligarquias fundiárias do Nordeste brasileiro, defendendo, com risco da sua vida, os camponeses sem terra".

O jornalista Alípio de Freitas, que se destacou na luta pela liberdade e apoio aos movimentos camponeses no Brasil, morreu na terça-feira, em Lisboa, aos 88 anos.

Alípio de Freitas, que nasceu em Bragança, foi jornalista, professor universitário, padre em Portugal e revolucionário no Brasil. Era pai da cantora de Jazz, Luanda Cozetti.

No Brasil, criou estruturas de apoio à população mais carenciada, deu aulas na universidade, participou em ocupação de terras, foi preso e torturado.

Esteve exilado no México, viveu em Cuba e regressou ao Brasil, onde foi dirigente do Partido Revolucionário dos Trabalhadores. Depois de uma detenção de quase 10 anos naquele país (1970-1979) escreveu o livro "Resistir é Preciso".

Viajou para Moçambique, onde também apoiou os camponeses, e entrou na RTP nos anos 80, tendo permanecido na empresa até 1994.

Alípio de Freitas foi cofundador da Casa do Brasil em Lisboa e da Associação José Afonso.