A necessidade de proteger as mulheres em cenário de conflito armado, em particular na Síria, foi um dos destaques da terceira conferência ministerial da União para o Mediterrâneo, que terminou hoje em Paris, informou a representante de Portugal.

«A preocupação com a situação das mulheres sírias foi aqui mencionada por diversas vezes porque num conflito que está naquele ponto e com aquela gravidade as mulheres e as crianças sao particularmente afetadas», contou à Lusa a secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, Teresa Morais, que representou Portugal na reunião.

A declaração final da reunião, acrescentou a responsável, menciona «a preocupação com as mulheres envolvidas em cenários de conflito armado, (...) que levam à necessidade muito acentuada da sua proteção, designadamente em relação a situações de violações e de todo o tipo de traumas».

Os participantes na reunião reforçaram, na mesma declaração, a necessidade de os Estados-membros onde se têm registado conflitos armados se comprometerem com o objetivo de proteger as mulheres,

«Num cenário como este, sobretudo nos países do Norte de África e Médio Oriente, há aqui mensagens subliminares que têm a sua importância», acrescentou Teresa Morais.

Com o tema geral «Reforçar o papel das mulheres na sociedade», a conferência terminou com uma declaração que sublinha a necessidade de dar a maior relevância «ao papel que as mulheres têm no processo de desenvolvimento e transformação política em curso nos países da região do Mediterrâneo», afirmou ainda a secretária de Estado.

A declaração acentua também a importância de «prestar particular atenção ao contributo das mulheres para a economia e aos efeitos que a crise económica e financeira pode ter na vida das mulheres e nos objetivos da igualdade», adiantou a responsável, que focou também este último assunto na sua intervenção.

«Sublinhei que [a reunião] acontece num momento em que a crise económica, social e política que se vive em muitos países da região do Mediterrâneo se traduz em riscos reais para os objetivos da igualdade de género», disse, considerando que os países participantes devem ter «consciência destes riscos e da necessidade - nos casos em que ainda se vai a tempo - de prevenir a concretização desses riscos ou de os combater».

Questionada sobre os impactos da crise no caso concreto das mulheres em Portugal, a secretária de Estado recordou que «tem havido uma resistência do emprego feminino face ao emprego masculino que poderá espantar algumas pessoas».

«Neste momento, a taxa de desemprego masculina ultrapassou a das mulheres», disse Teresa Morais, sublinhando que o fenómeno ocorreu pela primeira vez num dos trimestres do ano passado e voltou a acontecer ao longo de 2013.

O facto de as profissões mais atingidas pela crise serem «altamente masculinizadas», como as da construção civil e alguma indústria, e uma «maior resistência das mulheres» em situações de crise no mercado de trabalho foram duas possíveis explicações apontadas pela governante.

Sublinhando que esta situação exige uma monitorização permanente e que as mulheres portuguesas continuam a ter problemas sérios no mercado de trabalho - diferenças salariais, discriminação, assédio - a secretária de Estado disse ser um facto «que em muitos casos são as mulheres que constituem o pilar de sustentação de algumas famílias, em que o emprego da mulher resistiu e o do homem não».

Criada em 2008, a União para o Mediterrâneo é uma parceria multilateral que agrupa os 28 Estados-membros da União Europeia, a Comissão Europeia e 15 países mediterrânicos, funcionando em sistema de copresidência.