
O julgamento dos quatro arguidos envolvidos no processo de corrupção conhecido como «paquetes/Expo» começa a 14 de Janeiro próximo nas Varas Criminais de Lisboa, disse fonte judicial, citada pela Lusa.
Este julgamento ocorre mais de dez anos depois dos alegados factos ilícitos terem sido tornados públicos.
Segundo a mesma fonte, os arguidos são Januário Rodrigues (ex-director da Unidade de Alojamento da Parque Expo), António Manuel Pinto, Jorge Dias e o empresário Godinho Lopes.
Em causa está o fretamento pela Parque Expo, S.A, sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos, de três navios-hotel de apoio à Expo-98 a uma única empresa, sem concurso público ou consulta formal, mediante o pagamento de contrapartidas.
A 02 de Abril de 1999, foi revelado que uma auditoria interna à Expo-98 já concluía haver indícios da prática de crimes por parte de responsáveis no fretamento dos três navios, que estiveram ancorados em Lisboa durante a Exposição Internacional.
O fretamento dos navios «Ocean Explorer», «Princesa Victoria» e «Itália Prima» visava suprir alegadas carências de alojamento de convidados ou prestadores de serviços da Expo-98, mas a taxa efectiva de ocupação dos três barcos não chegou aos 30 por cento.
O relatório da auditoria aconselhava a instauração de uma queixa-crime (que viria a acontecer) contra vários responsáveis, entre os quais o ex-director da Unidade de Alojamento, Januário Rodrigues.
O documento revelou ainda que a contratação dos três navios-hotel foi «extremamente desastrosa para a Parque Expo, com as despesas a ascenderem a 4,7 milhões de contos, enquanto as receitas rondaram 765 mil contos».