A primeira exposição a solo, em Londres, da dupla de artistas portugueses João Maria Gusmão e Pedro Paiva está a ser bem recebida pela crítica britânica, que descreve a instalação de vídeo como «onírica», «mágica» e «louca».

O diário gratuito «Evening Standard» refere o «deslumbramento» que causa a visita à exposição «Papagaio», patente no Camden Arts Centre até 29 de março, e atribui quatro estrelas (num máximo de cinco).

«O silêncio é de ouro: a falta de som nos filmes em câmara lenta de Gusmão e Paiva resulta numa exposição onírica», escreve o crítico do vespertino londrino, que viu «poesia» nos vídeos mudos.




Descrevendo o processo de produção dos filmes de 16 milímetros, captados por câmaras de vídeo de alta velocidade, mas projetados em movimento lento, resume: «Este efeito de câmara-lenta torna-os estranhamente ricos e enigmáticos».

A edição londrina da revista «Time Out» atribui três estrelas à instalação, que considera «intensamente bela», capaz de encorajar a «uma observação concentrada».

O crítico da publicação afirma que, «com uma ênfase na materialidade e estética imediata, o trabalho de Gusmão + Paiva'chama a atenção para os paradoxos na aparência da realidade e examina a natureza da verdade, percepção e a objetividade da visão».

A crítica mais entusiástica é a do diário «The Guardian», onde «Papagaio» é descrita como uma «exposição mágica e fascinante», mas também «inesperada» e «louca».

«Os artistas portugueses transformaram uma galeria de Londres num labirinto sibilante de filmes mudos e truques óticos, onde nos desorientamos», escreve Adrian Searle, que elogia a dupla portuguesa ao mesmo tempo que se mostra chocado.

«Quanto mais tento compreender Gusmão + Paiva, mais hesito na explicação. A certa altura, o meu crítico interior sai. Que alívio. Fico de boca aberta durante horas. Quando finalmente saio, também, e atravesso a estrada na movimentada Finchley Road, o mundo está perturbado», conclui o crítico do «The Guardian».



«Papagaio» é uma instalação composta por 27 vídeos de 16 milímetros e duas instalações de câmera obscura, que foi estreada em Milão, no ano passado, mas que é adaptada a cada espaço.

A programadora da galeria, Gina Bluenfeld, disse à agência Lusa que admira o trabalho de Gusmão e Paiva desde que os viu pela primeira vez há uma década, em Paris. «É incrivelmente bonito e intrinsecamente conceptual», salientou, saudando a boa recepção da crítica inglesa e dos visitantes, cujo número revelou estar a ser elevado.

João Maria Gusmão (1979) e Pedro Paiva (1977), ambos nascidos em Lisboa, estudaram Pintura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde se conheceram, e trabalham juntos desde 2001. Além de vídeo, fazem também fotografia e escultura.

Em 2004 foram galardoados com o prémio Novos Artistas da EDP e representaram Portugal na 53.ª Bienal Internacional de Arte de Veneza, em 2009, onde regressaram em 2013, selecionados pelo curador Massimiliano Gioni para a mostra principal da 55.ª bienal - «Il Palazzo Enciclopedico» («O Palácio Enciclopédico») - no Pavilhão Central do Giardini e no Arsenale. Já expuseram em países como Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Dinamarca, Espanha ou Holanda.

Na edição do ano passado da ARCO - Feira Internacional de Arte Contemporânea de Madrid, o Museu Rainha Sofia, da capital espanhola, adquiriu três obras da dupla João Maria Gusmão e Pedro Paiva, representados pela galeria Graça Brandão, de Lisboa.