A Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas pretende que o documento final do Sínodo dos Bispos aborde as situações «pastorais difíceis», nomeadamente a união entre pessoas do mesmo sexo, disse hoje o coordenador da Associação Novos Rumos.

A Organização Mundial das Associações Homossexuais Católicas (WOHCA) foi hoje criada por associações de Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Itália, Polónia, Brasil, Estados Unidos, Argentina, México e Peru, no decurso dos trabalhos do I Congresso Mundial das Associações Homossexuais Católicas, que decorre em Portimão, no Algarve, sob o tema «Construindo Pontes».

De acordo com José Leote, coordenador nacional da Associação Novos Rumos, o congresso algarvio pretende elaborar um documento para enviar ao secretário-geral do Sínodo dos bispos, a decorrer em Roma, «manifestando as preocupações e esperanças em relação a alguns aspetos que se gostaria de ver abordados de forma mais abrangente e fraterna».

«São as questões relacionadas com as uniões denominadas como situações pastorais difíceis, como sejam as uniões entre pessoas do mesmo sexo e qual é o cuidado pastoral que se deve dispensar aos filhos destes casais», destacou.

José Leote disse esperar que o documento final do Concílio sobre a família, «possa incluir a reflexão e o entendimento» dos congressistas presentes no Algarve.

«É importante fazer sentir que há um conjunto de fiéis de todo o mundo que se reuniram e que vão expressar também ao Vaticano as suas preocupações, no sentido de que sejam encarados como fiéis», destacou

De acordo com José Leote, a marcação do congresso para esta altura «não foi simples coincidência», mas sim propositado, para coincidir com os trabalhos do Sínodo dos bispos sobre a família.

«Pareceu-nos importante assinalar esse momento com a criação desta organização que pretende dar voz às pessoas homossexuais católicas daquilo que entendemos ser de todo o mundo», concluiu.

No I Congresso Mundial das Associações Homossexuais Católicas que decorre entre hoje e quarta-feira, participam 40 congressistas de vários países para aprofundar, segundo a organização, «a sua experiência de fé e a relação desta com a Igreja que amam».