As respostas ao inquérito para conhecer a realidade familiar pedem uma Igreja Católica «mais inclusiva», revelou hoje o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), adiantando notar-se que as famílias têm dificuldades em transmitir a fé.

«Naturalmente que há uma linha de orientação, que a Igreja seja o mais inclusiva possível, que as portas da Igreja não se fechem, mantendo as regras fundamentais», afirmou Manuel Morujão, em Fátima, na conferência de imprensa que sucedeu a mais um Conselho Permanente da CEP.

O sacerdote salientou ainda a este propósito que «a Igreja não tem autoridade para se reinventar, tem o dever de se atualizar, mas não de se reinventar porque tem de ser a Igreja de Cristo».

O secretário da CEP adiantou que as respostas ao questionário estão a ser tratadas, prevendo-se a conclusão deste trabalho este mês.

«Houve uma grande adesão, nisto há o envolvimento de milhares de pessoas, o que é uma resposta muito ativa, muito concreta e mostrou que a iniciativa do Vaticano foi oportuna, para mais tratando do tema da família», explicou.

Destacando que «a família é um tesouro» que «passa por dificuldades», o responsável sustentou que «essas dificuldades são para ser encaradas com esperança», algo que se nota nas respostas ao questionário preparatório do Sínodo dos Bispos sobre a família, a realizar em Roma, em outubro.

«A família que temos pode ser uma família melhor e as dificuldades que há não são intransponíveis, nem eternas», apontou, referindo que se nota «concretamente que as famílias hoje têm dificuldade de transmitir a fé e até os valores morais».

Para Manuel Morujão, «muitas vezes endossa-se à escola os valores morais e os princípios éticos, e à Igreja que faça lá a educação religiosa/catequética», frisando, contudo, que «o ambiente para transmitir toda a espécie de valores - morais, de educação comum, de fé - é na família».

Sobre o facto de, recentemente, o papa Francisco ter batizado o filho de uma mãe solteira e outro de um casal casado pelo civil, Manuel Morujão considerou que se trata «de algo que é normal e não deveria ser considerado excecional».

«O batismo não é um privilégio, uma condecoração dada a pais exemplares, mas uma graça concedida», adiantou, referindo: «Se alguma vez as portas não se abrem, não é por estarem segundo a doutrina oficial da Igreja e segundo o proceder do próprio papa, mas serão interpretações demasiado restritivas e, como sabemos, não devemos ser mais papistas que o papa».