Estamos em 2015, mas os hotéis de Fátima já estão esgotados para maio de 2017. Será só daqui a dois anos que o Papa Francisco visitará Fátima, no âmbito do centenário das aparições. A corrida à reserva de alojamento já começou - e em força. 

"Já está tudo esgotado em Fátima e agora a expectativa é que se esgote também a capacidade hoteleira entre Lisboa e Coimbra, sobretudo na faixa litoral"


O ponto da situação é feito pelo presidente da Associação Empresarial Ourém-Fátima ao "Jornal de Notícias", na sua edição deste sábado.

Fátima tem cerca de 15 mil camas disponíveis - 6.000 em hotéis, 4.000 em alojamento local e 5.000 em instituições religiosas. 

            
                                  (Peregrinação a Fátima. Foto: Lusa)

A cidade já está a preparar-se para as comemorações.  O reitor do Santuário de Fátima afirmou este sábado que até ao final deste ano as várias obras no templo estarão concluídas para a festa na Cova da Iria.

“Todo este esforço de obras simultâneas é, precisamente, para fazermos as obras até ao final de 2015, e, em 2016 e 2017, não termos qualquer tipo de intervenção que possa incomodar os peregrinos que visitam Fátima”, disse à agência Lusa o padre Carlos Cabecinhas.


Mais obras


O sacerdote reconheceu que a instituição tem em curso “um volume muito grande de obras”, explicando que as “mais significativas” e de maior impacto são as relacionadas com a construção do novo altar, decorrendo também a intervenção na Basílica de Nossa Senhora do Rosário e nos espaços envolventes ao santuário.

Em março, este santuário no distrito de Santarém iniciou a construção de um novo altar do recinto de oração, para substituir o anterior, inaugurado em 1982 por ocasião da primeira visita do papa João Paulo II a Fátima, mas sempre assumido como provisório.

Até outubro, quando se prevê a conclusão deste investimento, um altar provisório, de menor dimensão, está ao serviço das grandes celebrações.

O novo altar, com capacidade para 120 concelebrantes, vai descer 2,4 metros na escadaria face ao que estava, ficando mais perto dos fiéis. A estrutura vai ter uma cobertura para proteção das condições meteorológicas feita em fibra de vidro que, com o calcário da região, são os seus dois principais materiais de construção.

Em maio de 2014 começaram os trabalhos no interior da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, encerrada desde então ao público, mas com os túmulos dos videntes visitáveis na maior parte do tempo.

Os trabalhos neste templo, que reabre portas em janeiro de 2016, são fundamentalmente de caráter conservativo e de limpeza, mas incluem outras intervenções, como a iluminação e som, acessibilidades, valorização dos túmulos e o restauro do grande órgão, com cerca de 12 mil tubos.

Ainda em 2014, foram iniciadas ações em seis parques de estacionamento da envolvente a esta basílica, que contemplaram a arborização, a melhoria das zonas de circulação automóvel e pedonal, entre outros aspetos.

“Em termos de centenário houve uma obra que temos pena de não ter podido fazer com que ela avançasse, que foi a requalificação do recinto”. “Nunca esteve definido se seria calçada ou se seria outro tipo de piso”, disse o mesmo padre, explicando que foi um processo que o santuário procurou levar por diante até perceber que “não seria possível ter essa obra concluída até ao final de 2015”, pelo que foi abandonada momentaneamente, para ser retomada depois de 2017.

Quanto à reabilitação dos parques de estacionamento na envolvente ao Centro Pastoral Paulo VI, o sacerdote afiançou que o santuário não vai executar obras.

“Não pretendemos avançar com obras enquanto estiver aprovado o plano de pormenor que está atualmente, com o qual não concordamos, e, portanto, não vamos avançar não podendo fazer as obras que entendemos que são ali necessárias”, referiu.