A cerimónia de trasladação dos restos mortais da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen teve início esta quarta-feira, às 16:30, no cemitério de Carnide, de onde partiu em direção à capela do Rato.

O carro fúnebre partiu, escoltado por 23 militares da GNR, em motorizadas, que irão fazer o percurso, através de Lisboa, até ao Panteão Nacional, passando pela Capela do Rato, pela Assembleia da República, seguindo depois pelo caminho junto ao rio, até ao monumento que não fica distante da casa na colina da Graça, onde viveu Sophia de Mello Breyner Andresen.

A urna com os restos mortais da poetisa está coberta pela bandeira nacional e, no cemitério, além de familiares e membros do protocolo da Assembleia da República, encontrava-se a vereadora da Cultura da Câmara Municipal Lisboa, Catarina Vaz Pinto.

Sophia de Mello Breyner Andresen é a segunda mulher a ter honras de Panteão Nacional, como forma de homenagear «a escritora universal, a mulher digna, a cidadã corajosa, a portuguesa insigne», e de evocar o seu exemplo de «fidelidade aos valores da liberdade e da justiça», conforme se lê no projeto de resolução da Assembleia da República.

O parlamento aprovou por unanimidade, no passado dia 20 de fevereiro, a concessão de honras de Panteão Nacional à escritora, que foi também deputada à Assembleia Constituinte, em 1975-1976, realizando-se a trasladação hoje quando se completa uma década sobre a sua morte.

Falecida aos 84 anos, Sophia de Mello Breyner Andresen foi autora de vários livros de poesia, entre eles, «O Nome das Coisas» e «Coral», de obras de ensaio, designadamente «O Nu na Antiguidade Clássica», contos, como «Histórias da Terra e do Mar», ficção infantil, nomeadamente «A Fada Oriana» e «A Menina do Mar», e também, teatro, «O Colar», e traduziu vários autores.