A discrição e o silêncio pautaram o início da cerimónia de trasladação dos restos mortais da poetisa Sophia de Mello Breyner Andresen, que saiu às 16:30 do Cemitério de Carnide para a Capela do Rato, em Lisboa.

Eram 16:10 quando um pelotão composto por 23 elementos da GNR se perfilava, em veículos motorizados, à entrada do cemitério para acompanhar o cortejo fúnebre da poetisa.

Pouco depois, a urna com os restos mortais de Sophia de Mello Breyner Andresen, coberta pela bandeira portuguesa, entrava no carro fúnebre, que a levará ao Panteão Nacional.

Eram cerca de 16:20 quando as primeiras motas da guarda de honra da GNR saíram do Cemitério de Carnide. Pouco depois saía uma viatura onde seguia o secretário-geral da Assembleia da República, Albino de Azevedo Soares.

De seguida, o carro fúnebre partiu do cemitério de Carnide em direção à capela do Rato, em Lisboa, onde se celebrou uma missa em honra da escritora, antes que a urna com os seus restos mortais seja levada até ao Panteão.

«Eu rezo com palavras de Sophia», disse, a abrir a homilia, Manuel Clemente, patriarca de Lisboa que acrescentou que a poesia de Sophia «é de luz que se trata, luz solar e esplendorosa, luz surpreendente, intensa demais para o olhar de quaisquer».

Ao longo da homilia, o patriarca citou amiúde poemas de Sophia e traçou a sua biografia desde «a recolhida luz do Porto, onde nasceu, à luz clara e alargada de Lisboa», cidade onde morreu há uma década, aos 84 anos.

Durante a eucaristia, foi lido um excerto da Carta de S. João, por Guilherme de Oliveira Martins, presidente do Centro Nacional de Cultura (CNC), e o salmo «Esta é a geração dos que procuram o Senhor», pela escritora Leonor Xavier.

No momento das intenções, foram pedidas orações pelos artistas e pelos escritores e por um «Portugal mais justo e fraterno», como evidencia a obra de Sophia.

Na missa estão presentes, entre outras personalidades, o ensaísta Eduardo Lourenço, a atriz e ex-deputada Maria Barroso Soares, o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, o presidente da Fundação Inês de Castro, José Miguel Júdice, e a jornalista Maria João Avillez.

À chegada da urna à capela encontravam-se alguns populares, um pouco alheios à cerimónia, mas surpreendidos pelo aparato do cerimonial de honra da Guarda Nacional Republicana.