Vinte e três milhões de adolescentes em países em desenvolvimento correm o risco de gravidez indesejada por falta de contraceção eficaz, revela um estudo publicado esta terça-feira, que propõe investimentos para evitar 3,2 milhões de abortos anuais.

Realizado por investigadores do Instituto Guttmacher, uma organização sediada em Nova Iorque que visa melhorar a saúde sexual e reprodutiva nos EUA e no Mundo, o estudo conclui que cerca de metade das gravidezes em jovens de entre 15 e 19 anos nas regiões em desenvolvimento são indesejadas.

Mais de metade das gravidezes não desejadas acaba em aborto, muitas vezes sem condições de segurança, conclui o documento, intitulado "Custos e Benefícios de Cobrir as Necessidades de Contraceção das Adolescentes". Liderados por Jacqueline E. Darroch, os autores do relatório estimam que 38 milhões dos 252 milhões de raparigas de 15–19 anos nos países em desenvolvimento são sexualmente ativas e querem evitar engravidar.

No entanto, 23 milhões têm uma necessidade não satisfeita de contraceção moderna, ou seja, querem evitar uma gravidez nos próximos dois anos, mas não estão a usar contracetivos eficazes.

A maioria não usa qualquer método de contraceção (84%), enquanto as restantes praticam métodos tradicionais, como o coito interrompido ou a abstinência periódica, que são menos eficazes do que os métodos modernos.

Atualmente, 15 milhões de raparigas dos 15 aos 19 anos usam contracetivos modernos, prevenindo 5,4 milhões de gravidezes indesejadas por ano. Destas gravidezes, 2,9 milhões teriam terminado em aborto. A contraceção moderna evita também a morte de cerca de 3.000 mães adolescentes por ano nos países em desenvolvimento.

Segundo o estudo, cobrir as necessidades de contraceção moderna das jovens de 15 a 19 anos nos países em desenvolvimento reduziria em seis milhões o número anual de gravidezes não desejadas (menos 59%), o que permitiria evitar 2,1 milhões de nascimentos não planeados (menos 62%), 3,2 milhões de abortos (menos 57%) e 5.600 mortes maternas (menos 71%).

Os investigadores fizeram as contas aos custos de melhorar os serviços prestados àquelas que já usam contracetivos e de alcançar aquelas que não têm atualmente acesso e concluíram que seriam precisos 770 milhões de dólares anuais, mais 548 milhões do que atualmente se gasta.

Por uma média de 21 dólares anuais por utilizador, estes investimentos permitiriam, não só fornecer contracetivos e informação, mas também formação e supervisão para os profissionais de saúde, melhorias nas instalações e sistemas de abastecimento e esforços de informação e comunicação para garantir que as adolescentes têm apoio na escolha e uso correto de um método.

Os autores do estudo recordam que, além de reduzir os abortos e a mortalidade materna, a prevenção da gravidez adolescente "é essencial para melhorar a saúde sexual e reprodutiva das adolescentes, assim como o seu bem-estar social e económico".

A gravidez adolescente está associada a um menor nível de instrução entre as mães e contribui para perpetuar o ciclo de pobreza de uma geração para a outra.