Os maus resultados nos exames de Português e Matemática do 6º e 9º ano não surpreendem pais e professores. A Associação de Professores de Português lembra que já tinha dado um parecer negativo sobre a prova e considera que os resultados não refletem o desempenho dos alunos.

Edviges Ferreira, da Associação de Professores de Português, alerta ainda, em declarações à TSF, que as metas curriculares poderem vir a fazer com que os resultados do próximo ano que «sejam um bocadinho piores».

Lurdes Figueiral, da Associação de Professores de Matemática, também em declarações à TSF, diz não ter ficado surpreendida com os resultados das provas e sublinha que a prova final do 9º ano já demonstrava algumas «características desadequadas para a faixa etária».

Pais culpam elaboração das provas

O presidente da Confederação Nacional de Pais (CONFAP), Jorge Ascenção, considerou que na origem dos «maus resultados» dos exames a Matemática e Português está a elaboração das provas e pediu uma análise mais profunda.

Em declarações à Lusa, o presidente da CONFAP disse que os «resultados são negativos, mas não refletem» o conhecimento dos alunos. «Os resultados não parecem refletir nem o conhecimento dos alunos nem o trabalho desenvolvimento durante o ano (...). Por isso, considero que os docentes, pais, ministério, associações e sociedades científicas devem olhar para os resultados e fazer uma análise mais profunda e realista do que se passa e tentar corrigir», disse.

Segundo Jorge Ascenção, na origem dos maus resultados está a elaboração da prova. «Estamos a falar de alunos de excelência, alunos de cinco (numa escala de um a cinco) e de 18 (numa escala de um a 20), que tiveram negativas ou notas fracas apesar de positivas. Nós pedimos às associações e sociedades científicas que nos dessem a opinião, e esta é quase unânime: os exames são elaborados de forma complicada», sublinhou.

Jorge Ascenção considera, com base na opinião das associações, que os exames são elaborados de «uma forma muito complicada, com questões dúbias que levam a interpretações diversas» permitindo até respostas diferentes.

O presidente da CONFAP admite que os maus resultados podem ser justificados por falta de esforço e trabalho de alguns alunos, mas considera que a elaboração dos exames «é a maior fatia do problema».

Sociedade de Matemática: «Problema não está nos exames»

Já o presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática, Miguel Abreu, admitiu ter ficado surpreendido com os resultados dos exames nacionais do 9.º ano uma vez que a prova era «ligeiramente mais fácil» do que a do ano passado.

«O que estes resultados mostram é que os nossos alunos continuam com muita dificuldade no final de cada ciclo de estudos a Matemática», disse Miguel Abreu, em declarações à agência Lusa

O presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática disse não ter ficado surpreendido com os resultados dos exames do 6.º ano por considerar terem sido mais difíceis e exigentes do que os de 2012, mas não esperava os resultados (uma descida de dez pontos percentuais) nos do 9.º ano.

Segundo Miguel Abreu, são os resultados que os alunos têm ao nível do 4.º ano que vão ditar as notas que vão ter mais tarde. «A Matemática é uma disciplina cumulativa e não aprender muito bem o que é ensinado nos primeiros anos não permite aprender melhor mais à frente», sublinhou.

Questionado se na origem dos resultados negativos pode estar a elaboração das provas, Miguel Abreu disse que não. «O problema não está nos exames. Foi por em 2007, 2008 e 2009 terem sido feitas provas muito desajustadas em termos de dificuldade ao ciclo de estudos em causa que houve uma inflação de notas perfeitamente falsa que não era indicadora do real conhecimento que os alunos tinham, portanto voltar por esse caminho é inflacionar as notas», explicou.