A Associação Para o Planeamento da Família (APPF) revelou esta segunda-feira que a acessibilidade aos métodos contracetivos «não está a ser igual» em todo o país e que, nalguns centros de saúdes, faltam contracetivos.

«Existem atrasos na compra» dos métodos contracetivos na Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, enquanto a ARS do Algarve «não tem métodos contracetivos nos seus armazéns desde fevereiro», lamentou o diretor-executivo da APPF, Duarte Vilar.

«Há alguns centros de saúde que durante meses não recebem contracetivos», afirmou.

Duarte Vilar deu o exemplo da zona da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, designadamente nos centros de saúde de Loures e Odivelas, onde «há listas de espera para a colocação de implantes».

Também a ARS do Centro «não disponibiliza todos os métodos contracetivos do catálogo do planeamento familiar», o que «compromete o princípio de igualdade dos cidadãos, que deveriam ter acesso à contraceção mais adequada às suas necessidades», refere uma nota da Associação Para o Planeamento da Família.

«Iremos contactar as entidades em causa para tentar saber o que se passa», disse Duarte Vilar à Lusa, alertando que esta situação tem também riscos para a saúde das mulheres, já que «pode provocar um aumento de gravidezes não desejadas».

Nos últimos dois anos, segundo o dirigente da APPF, «tem aumentado a procura das consultas de planeamento familiar», que permitem a obtenção gratuita de diferentes métodos contracetivos.

«É uma forma de se prevenir a automedicação» por parte de utentes, incluindo aqueles que «antes adquiriam os fármacos sem passar pelos serviços de saúde», salientou o mesmo responsável.

Na nota, a APPF realça que a distribuição gratuita de contracetivos em todas as unidades de saúde públicas «é uma conquista muito positiva» do Serviço Nacional de Saúde em Portugal.

«No entanto, a acessibilidade aos métodos contracetivos não é igual em todo o país, quer pela quantidade disponibilizada aos utentes, quer pelo tipo de contraceção disponibilizado», adianta a associação.

A agência Lusa quis obter a posição do Ministério da Saúde, através da Direção-Geral de Saúde, mas até ao momento ainda não foi possível.