A maioria dos inquiridos num estudo sobre reprodução assistida está disposta a preservar a sua fertilidade se sofrer de uma doença cujos tratamentos afetam a fecundidade ou simplesmente para adiar a parentalidade.

Este é um dos resultados do estudo “Conhecimento, perceções e atitudes em relação à reprodução assistida da população portuguesa em idade reprodutiva”, que será lançado esta terça-feira durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução e Embriologia.

Trata-se de um estudo que contou com a participação de 2.400 portugueses, com idades entre os 18 e os 45 anos, sem filhos.

Em resultado dos inquéritos realizados, o estudo da Sociedade Portuguesa da Medicina da Reprodução (SPMR), realizado com o apoio de um laboratório, concluiu que “70,9% dos homens e 73,9% das mulheres preservaria a sua fertilidade para poderem ser pais mais tarde”.

Destes, “a esmagadora maioria fá-lo-ia no caso de terem uma doença cujos tratamentos possam afetar a fertilidade e cerca de 70% preservaria a sua fertilidade tendo em vista o adiamento da parentalidade por opção”.


As conclusões do estudo indicam que 72,2% dos homens e 76,2% das mulheres estão dispostos a alterar os seus hábitos de vida se tivessem conhecimento de algum problema que afetasse a sua fertilidade.

Quase metade dos inquiridos (40,7% dos homens e 46% das mulheres) afirma que antecipariam o momento de ter filhos se tivessem conhecimento de algum problema que afetasse a sua fertilidade.

Em matéria de tratamentos, os inquiridos demonstraram algum desconhecimento da realidade dos hospitais públicos, com a maioria (63% dos homens e 54,3% das mulheres) a não saberem que a Fertilização In Vitro (FIV) é uma técnica comparticipada pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Aproximadamente metade dos homens e das mulheres indica, incorretamente, que o SNS não autoriza qualquer tratamento de FIV”.


Em média, os homens estariam disponíveis a gastar 5.109 euros numa FIV, e as mulheres 4.915 euros.

De acordo com o estudo, os homens planeiam ter o primeiro filho, em média, aos 33,9 anos.

Segundo o estudo, “as mulheres pensam ser mães do primeiro filho, em média, aos 32,3 anos, existindo 50% que tencionam sê-lo com menos de 31 anos”.


Os homens indicam que a idade ideal para terem o primeiro filho é, em média, aos 29,9 anos, enquanto as mulheres apontam os 28,3 anos.

Apenas 12,8% dos homens e 22,6% das mulheres já debateram o tema da fertilidade nas suas consultas médicas, sendo que as mulheres o fazem na sua maioria com o médico ginecologista (54,5%) e os homens com o médico de família (41,2%).