A Diocese da Guarda anunciou esta segunda-feira que está a apoiar os alunos que foram vítimas do ex-vice reitor do Seminário do Fundão e que aqueles continuam a frequentar aquele estabelecimento de ensino católico.

«Todos os cinco alunos que se apresentam como vítimas continuaram no Seminário durante todo o ano letivo, sendo acompanhados muito de perto quer pelos sacerdotes do Seminário quer pela comunidade das irmãs, que lhes deram e dão incessante apoio, e também por psicólogos», referiu esta segunda-feira o bispo da Guarda aos jornalistas, após a leitura da mensagem de Natal.

Segundo Manuel Felício, após a detenção do padre Luís Mendes, de 37 anos, que foi condenado a 10 anos de prisão por crimes de abuso sexual de menores, «foi constante o diálogo mantido» com as vítimas e com as famílias.

«E, por estranho que pareça, o facto é que destes cinco alunos que se consideram vítimas nenhum optou por sair do Seminário, continuando todos a dizer que gostavam de o frequentar», apontou o prelado diocesano.

Em todo o processo, a Diocese «cumpriu o dever de cuidar, simultaneamente, tanto dos adolescentes que se consideram vítimas, como do acusado», reconheceu.

«De facto, tanto aqueles como este, perante tudo o que se disse, quer durante a organização do processo que levou a formular a acusação, quer durante o julgamento até à leitura pública do acórdão, viveram situações muitos difíceis, que a Diocese da Guarda procurou acompanhar da melhor maneira», acentuou.

Ao padre Luís Mendes foram criadas as «condições necessárias para ele poder viver com dignidade os momentos difíceis inerentes a todo o processo que passou a envolvê-lo».

«A nós, Diocese da Guarda, fica-nos a consciência de até agora tudo termos feito e desejarmos continuar a fazer para que tanto os adolescentes que se consideram vítimas como o acusado tenham as condições de que precisam para viverem com o mínimo de custos, sobretudo pessoais, este momento difícil e necessariamente marcante para as suas vidas», acrescentou.

O bispo explicou ainda que os tribunais da Igreja «estão empenhados em fazer justiça» e que já fez «duas deslocações a Roma para contactos com a Congregação da Doutrina da Fé, dicastério onde está sediado o tribunal que, por superior determinação da Santa Sé, julga estes casos».

A mesma colaboração que foi garantida aos tribunais civis está também a ser dada «ao tribunal eclesiástico competente para se pronunciar sobre esta matéria», disse.

O ex-vice reitor do Seminário do Fundão foi condenado a 10 anos de prisão em cúmulo jurídico, tendo o tribunal dado como provados todos os crimes: abuso sexual de menores, abuso sexual de crianças e coação sexual.

De acordo com o que ficou provado, Luís Mendes abusou de seis crianças com idades entre os 11 e os 15 anos, cinco das quais alunos em regime de internato no Seminário.

Os cinco seminaristas foram abusados entre 2011 e 2012 e a sexta vítima - aluno do padre no Colégio Nossa Senhora dos Remédios, Tortosendo, Covilhã - foi abusada em 2008.