Os professores do movimento Boicote&Cerco que se reuniram esta sexta-feira em Coimbra decidiram promover o boicote à segunda chamada da prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) de docentes e uma manifestação nacional.

«No dia da segunda chamada, iremos estar a promover o boicote e cerco, novamente por todo o país», disse esta sexta-feira, ao final da tarde, à agência Lusa, André Pestana, após a reunião de professores do movimento.

A data para a realização da segunda chamada da prova não é conhecida, mas segundo disse o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, em entrevista à RTP, será em janeiro.

No encontro desta sexta-feira foi decidido realizar uma manifestação nacional não só de professores, alunos, pais e funcionários das escolas, mas também de «todos aqueles que defendem a escola pública, que está, de facto, a ser atacada por um ministro ao serviço dos colégios privados», disse André Pestana.

O ministro da Educação «dá milhões de euros aos colégios privados e tira dinheiro à escola pública», sustentou o dirigente do movimento, sublinhando que a redução do financiamento da escola pública «degrada a qualidade do ensino».

A manifestação ainda não tem data agendada, mas realizar-se-á em janeiro, revelou André Pestana, adiantando que os promotores pretendem que ela «marque a exigência, mais uma vez», do fim da PACC, e da «demissão deste ministro [da Educação], que não tem condições para continuar» no cargo.

Os institutos «politécnicos exigem a demissão de Nuno Crato», a Associação de Professores de Matemática «chama incompetente ao ministro» e «a própria Associação de Pais já disse que a prova em janeiro vai perturbar» o funcionamento do ano letivo, exemplificou André Pestana.

«Exigimos a anulação total» da PACC, afirmou André Pestana, referindo que a realização da primeira chamada da prova, no dia 18 de dezembro, foi dominada por «irregularidades».

Os docentes do Boicote&Centro reivindicam ainda a devolução do dinheiro que pagaram pela inscrição na PACC.

«Há milhares de professores que pagaram e já deveriam ter recebido» esse valor «há muito tempo, mas continuam à espera», sustentou André Pestana, sublinhando que «o Estado é muito rápido e muito assertivo para exigir ao contribuinte», mas quando se trata de ser a administração pública a cumprir a sua uma atitude é completamente diversa.

O Boicote&Cerco apela a todos os professores para que não desistam da sua luta, que não terminará «enquanto não for garantido não só o fim da PACC, mas também outras questões», como as relacionadas com a vinculação dos docentes contratados, cuja situação «não respeita a lei geral do trabalho».

Há professores que «estão há dez, vinte anos com contratos sem qualquer tipo de vinculação e sem qualquer estabilidade», salientou o dirigente do movimento, assegurando que «os docentes não desistirão de lutar».

Na reunião desta sexta-feira, em Coimbra, participaram professores de Vila Real, Braga, Guimarães, Gaia, Porto, Santa Maria da Feira, Viseu, Leiria, Lisboa, Barreiro, Faro e Coimbra.