Quase metade dos professores inscritos para a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos (PACC) não fizeram o exame marcado para esta quarta-feira, de acordo com as primeiras estimativas sindicais.

«Neste momento estão identificadas 40 escolas onde não se realizou a prova», disse aos jornalistas o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, em conferência de imprensa conjunta com outras cinco organizações sindicais.

Mário Nogueira calculou em seis mil o número de professores que não terão realizado a prova imposta pelo Ministério da Educação aos docentes com menos de cinco anos de serviço.

Sobre as perturbações ocorridas hoje nas escolas, Mário Nogueira disse que foram «proporcionais à humilhação a que o ministério quis sujeitar os professores».

As organizações sindicais atestaram que vão continuar a luta contra a prova, seja no plano jurídico ou político.

Os sindicatos vão fazer um levantamento mais aprofundado das situações ocorridas esta quarta-feira para eventual apresentação de suspeitas fundadas de ilegalidades junto da Procuradoria-Geral da República.

Esta quarta-feora defenderam que a prova está «ferida de morte», e que estão quebradas as condições de equidade entre os professores.

Os sindicatos entendem também que a atual equipa do Ministério da Educação não tem condições para continuar em funções.

Sobre a esperada declaração do ministro da Educação, Nuno Crato, para o final do dia, Mário Nogueira disse apenas esperar um pedido de demissão.

As estruturas sindicais admitem recorrer à Provedoria de Justiça e tencionam avançar com 20 ações principais nos tribunais, uma vez que neste momento estão ultrapassadas as providências cautelares.

A prova, cujas fotografias foram divulgadas na Internet, tem 16 páginas e mais de 30 questões de escolha múltipla, sendo a pergunta de desenvolvimento dedicada à educação inclusiva.

Os sindicatos responsabilizam o Ministério da Educação pelas perturbações ocorridas hoje nas escolas e destacam a união entre professores contratados e efetivos (vigilante).

«Quando os professores chegam à escola de manhã e há um dispositivo policial como se de bandidos se tratasse, imediatamente está criado o problema, o clima de instabilidade», afirmou Mário Nogueira.

O dirigente sindical defendeu que a escola é o espaço dos professores: «Não é o espaço da polícia. Quando há agressões a professores dentro da escola a intervenção não é assim tão pronta, hoje estavam lá a proteger não sei o quê».

Os sindicatos defendem que a prova deve ser anulada e tencionam entregar novo pré-aviso de greve se for marcada outra data, por entenderem que se trata de um exame «humilhante, iníquo e desnecessário».