Ainda vamos a pouco mais do que metade do ano e a humanidade atinge já hoje o limite de recursos disponíveis no Planeta Terra para este ano. Acontece mais cedo do que em 2016, quando este marco foi ultrapassado a 8 de agosto, adverte a associação ambientalista Zero.

O último ano em que a humanidade respeitou o “orçamento natural anual”, fazendo com que os recursos existentes no planeta chegassem para o ano inteiro, foi há quase 50 anos, em 1970.

A Zero sublinha também o peso da pegada ecológica de Portugal. Os portugueses consomem em excesso o que a natureza dá, tendo em conta a capacidade que o planeta tem para se regenerar. Miutos comem carne e peixe todos os dias, usa-se pouco os transportes públicos, preferindo o carro, que liberta dióxido de carbono prejudicial. Se todos os povos fossem como os portugueses, o chamado vershoot Day, quando os recursos se esgotam, teria sido a 5 de junho.

Maior quantidade de peixe na Europa e os terceiros à escala mundial. Há muitas espécies que não têm capacidade de se reproduzir ao ritmo que as queremos consumir. Eram precisos mais do que um planeta se todos os países atingissem os níveis portugueses.

Se todos os países tivessem a mesma pegada ecológica do que nós, seriam necessários 2,3 planetas”.

O consumo de alimentos (32% da pegada global do país) e a mobilidade (18%) são as atividades humanas diárias que mais contribuem para a Pegada Ecológica de Portugal, segundo os ambientalistas.

“Num mundo onde persiste uma enorme desigualdade em termos de distribuição de rendimentos e acesso a recursos naturais, estes dados são claros sobre a necessidade de se produzir e consumir de forma muito diferente”, defendem.

Overshoot Day “indica-nos que estamos a forçar os limites do planeta cada vez com maior intensidade, uma tendência que é urgente mudar para bem da Humanidade e da sua qualidade de vida”, cita a Lusa.

Propostas da Zero

Para reduzir o défice ambiental, a associação ambientalista defende uma aposta na economia circular, onde “a utilização e reutilização de recursos é maximizada" e que segundo os ambientalistas deverá ser "uma prioridade transversal a todas as políticas públicas”.

O ponto fulcral deverá ser a redução no uso de materiais, a promoção da reutilização e a extensão dos tempos de vida dos bens e equipamentos. Para ser eficaz, teremos que mudar o paradigma de ‘usar e deitar fora’, muito assente na reciclagem, incineração e deposição em aterro, para um paradigma de ‘ter menos, mas de melhor qualidade’”.

A promoção de uma dieta alimentar saudável e sustentável, com a redução do consumo de proteína de origem animal e um aumento significativo do consumo de hortícolas, frutas e leguminosas secas, é outra das propostas da Zero.

"Trará enormes benefícios à saúde de todos e uma redução significativa do impacto ambiental associado à alimentação", Em Portugal, tal significará uma aproximação da balança alimentar nacional, com o que é defendido no padrão alimentar da roda dos alimentos.

Há outras propostas:

  • a promoção da mobilidade sustentável assente em diferentes estratégias, designadamente a melhoria do acesso e das condições em que operam os transportes públicos
  • a disponibilização de condições e infraestruturas que estimulem a “mobilidade suave”
  • a partilha do transporte (car-sharing)

Fica o apelo da Zero: "Evitar usar o cartão de crédito ambiental é um investimento no nosso bem-estar e qualidade de vida. Viver com pleno respeito pelos generosos limites do Planeta Terra é a única forma de garantirmos um melhor futuro para todos”.