O homem de 36 anos acusado do crime de incêndio florestal cometido em agosto de 2013 em Freixianda, concelho de Ourém, assumiu hoje em tribunal a autoria do fogo, mas negou intenção.

À pergunta da magistrada do Ministério Público Lígia Bartolomeu na primeira sessão do julgamento, no Tribunal Judicial de Ourém, se chegou com o isqueiro aceso junto de feno, o arguido respondeu: «Foi».

O jovem, atualmente com a medida de coação de obrigação de permanência na habitação, adiantou que não era essa a sua intenção, mas não soube explicar por que o fez, referindo que, na ocasião, estava «completamente embriagado».

A instância do seu defensor, Luís Silva Dias, que o questionou se, quando ateou o fogo, o fez de propósito ou se se tratou de acidente, o arguido explicou: «Foi por acidente. Eu estive lá a brincar com o isqueiro e aquilo incendiou-se».

Ao coletivo de juízes, presidido por Cristina Almeida e Sousa, o acusado afirmou que saiu do café onde se encontrava e dirigiu-se à mata para satisfazer necessidades fisiológicas, tendo na ocasião acendido um cigarro.

«Estive lá com o isqueiro e, depois, aquilo incendiou-se», referiu.

O arguido, que disse por várias vezes não se lembrar do que se passou, esclareceu que sofre de uma «depressão grave», devido à qual toma vários medicamentos, tendo a juíza-presidente questionado a «mistura» da medicação e álcool que fazia, mas aquele informou que já não bebe álcool desde o crime.

Hoje de manhã, a requerimento do Ministério Público e na sequência das declarações prestadas pelo arguido em primeiro interrogatório judicial não serem coincidentes com as proferidas em sede de julgamento, o tribunal ouviu o depoimento à juíza de instrução criminal.

O julgamento prossegue à tarde com a audição de testemunhas.

Segundo o despacho de acusação, o arguido, no dia 27 de agosto, pelas 16:50, «provocou um incêndio em terreno florestal, composto por eucaliptos, pinheiros e mato», com recurso a isqueiro.

O Ministério Público (MP) refere que o homem, após ter estado num café, deslocou-se para uma «zona de mato e floresta que se encontrava na direção» do estabelecimento, «de fácil acesso à estrada, local do foco de ignição, perto da via de comunicação e das habitações, local onde poderia fugir».

O MP relata que o suspeito percorreu alguns metros por um caminho de terra batida até se deparar com uma área florestal, onde colocou o isqueiro «junto a zona de feno seco» para iniciar a ignição mais facilmente «em zona inferior de encosta».

«Após ter ateado o fogo, e em consequência da rapidez da sua propagação e de modo a não ser visto no local, o arguido encetou, de imediato, fuga, tendo caído junto ao local do incêndio num silvado aí existente e, em consequência, ficado com escoriações», adianta o MP, esclarecendo que o suspeito regressou, depois, ao café, «onde ficou a assistir à mobilização dos meios de combate».

Em consequência do incêndio, ardeu uma área de cerca de três mil metros quadrados que «só não foi superior devido à rápida intervenção» dos bombeiros - de sete corporações -, da Equipa de Proteção da Natureza e do Ambiente da GNR e de um helicóptero, que o extinguiram pelas 19:30 desse dia.