O ex-presidente do Observatório de Segurança José Manuel Anes alertou, esta quinta-feira, para o risco de alargamento do fenómeno do terrorismo nos países ocidentais, depois do ataque de quarta-feira no parlamento canadiano.

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Anes, ex-presidente do OSCOT (Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo) considerou que a situação é preocupante, uma vez que o Canadá faz parte da coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, que combate os jihadistas do Estado Islâmico (EI) no Iraque e na Síria.

«O que aconteceu no Canadá é uma expressão do terrorismo que é uma daquelas ações cometidas por uma ou duas pessoas. Tudo indica tratar-se de um lobo solitário de origem islamita. Há dias tinha sido um [outro] atentado com um atropelamento», disse.

O especialista em segurança lembrou que existem cerca de 100 jihadistas de nacionalidade canadiana a combater na Síria e no Iraque.

José Manuel Anes sublinhou contudo que a probabilidade de acontecer em Portugal é menor do que noutro país europeu.

«Portugal em relação a isso corre menos riscos que outros. Não quer dizer que não corra, mas temos uma comunidade bem integrada. Temos alguns fenómenos de radicalização fora do país, de jovens que vão para o estrangeiro (sobretudo França e Inglaterra)», explicou.

De acordo com José Manuel Anes, este tipo de atentados pode acontecer em qualquer parte do mundo.

«É uma situação difícil, é muito complicado monitorizar a preparação de um ataque feito por uma pessoa ou duas. A solução é estar alerta», concluiu.

Na manhã de quarta-feira, em Otava, um homem armado com uma caçadeira alvejou um soldado, que viria a falecer, tendo depois conseguido entrar no parlamento canadiano, mas a rápida intervenção da segurança impediu que houvesse mais vítimas.

O incidente no parlamento canadiano ocorreu apenas dois dias depois de dois soldados canadianos terem sido atropelados - um deles mortalmente - no Quebeque, por um homem ligado aos 'jihadistas' islâmicos.

Os dois casos coincidem com o envio de aviões militares canadianos para o Iraque, onde vão integrar a coligação liderada pelos EUA e que combate o grupo Estado Islâmico.