Milhares de pessoas realizaram este sábado no Príncipe Real, em Lisboa, a 17.ª marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros), numa parada de alegria e cores, destinada a celebrar as diferenças.

“ILGA Portugal a conquistar a igualdade desde 1996”, “Contra a invisibilidade”, “Keep kissing”, “Não aos homicídios” e “Orlando é aqui” – estes últimos numa alusão à tragédia de Orlando, nos Estados Unidos – foram alguns dos cartazes exibidos pelos manifestantes, que se dirigem para a zona do Chiado e que, por fim, seguirão para a Ribeira das Naus.

Em declarações à agência Lusa, as porta-vozes do Orgulho LGBT, Alice Cunha e Ana Aresta, mostraram-se satisfeitas com o nível de adesão à marcha, dizendo esperar que ultrapasse as cinco mil pessoas, que participaram na anterior.

As duas responsáveis reconheceram também que, nos últimos anos, foram alcançadas várias conquistas legais para esta causa, mas admitiram que ainda há muito por fazer para assegurar a igualdade de género.

Também presente na manifestação, a deputada do Bloco de Esquerda (BE) Sandra Cunha anunciou estar na forja um projeto-lei deste grupo parlamentar, relacionado com a igualdade de género, dizendo acreditar que a maioria parlamentar que apoia o Governo fará passar o diploma.

A deputada bloquista realçou ainda que a sociedade está cada vez menos preconceituosa e do lado desta causa, em prol da igualdade de género.

Segundo a organização, a manifestação visa também chamar a atenção para a saúde que está longe de ser para todas as pessoas, “porque o género continua a pôr em causa o acesso à saúde sexual e reprodutiva, [e] porque o preconceito, sempre assente no género, está também na base dos que a querem estigmatizante, discriminatória e errada”.

Os manifestantes, de acordo com a convocatória da organização, saíram hoje à rua para recusar toda a violência contra a igualdade de género como “os crimes de ódio, o 'bullying' nas escolas, mas também em casa, ou no local de trabalho e os suicídios de quem sofre por se afirmar”.

Governo quer "aprofundar" lei da identidade de género

A secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, que participou na 17.ª marcha do Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgéneros), em Lisboa, disse que o Governo "está a trabalhar para aprofundar a lei da identidade de género".

Estamos a trabalhar para aprofundar essa lei e a trabalhar também nas questões que têm a ver com as pessoas ‘intersexo’. Há sempre algo a acrescentar", declarou a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.

A secretária de Estado salientou que a marcha deste ano se "reveste de um significado muito especial", por causa da recente tragédia de Orlando, nos Estados Unidos, em que um atirador matou 49 pessoas que frequentavam uma discoteca 'gay', naquela cidade da Florida.

Catarina Marcelinho sublinhou que, nos últimos anos foram alcançados importantes avanços em termos legislativos, com o casamento por pessoas do mesmo sexo, adoção, lei da igualdade de género e procriação medicamente assistida (PMA), mas admitiu que "ainda há muito caminho a fazer".

"Há sempre algo a acrescentar", enfatizou a governante, revelando que a sua Secretaria de Estado, em colaboração com o Ministério da Educação, está também a trabalhar numa Estratégia Nacional para a Educação, por forma a combater os estereótipos e a discrimação, em prol dos direitos humanos e da igualdade.

A deputada do Bloco de Esquerda (BE) Sandra Cunha disse à agência Lusa que o BE sempre esteve na primeira linha da defesa das causas LGBT, ao trazer aquele assunto para a "agenda política" e que, apesar dos avanços alcançados em matérias como casamento homossexual, adoção, PMA, falta resolver o problema da identidade de género e da autodeterminação das pessoas 'trans'.

"Estamos neste momento a trabalhar [nesse assunto], e já entregámos um projeto [de lei]", acrescentou a deputada, reconhecendo que a nova composição do parlamento favorece a aprovação de medidas contra a discriminação sexual e de género.

As porta-vozes do movimento Orgulho LGBT, Alice Cunha e Ana Arestas, congratularam-se com a grande adesão que a manifestação registou logo de início, no Príncipe Real, e que foi engrossando à medida que rumava à Ribeira das Naus, com passagem pelo Chiado.

Balões, música, dança e cartazes alusivos à causa, alguns com referência ao homicídio de Orlando, fizeram parte da manifestação que esteve sempre alegre, colorida e ruidosa, tendo, alguns dos manifestantes, optado por se deslocar de bicicleta e, outros, em levar um cão consigo, ao colo ou pela trela.

A Câmara Municipal de Lisboa fez-se também representar na marcha através do autarca com o pelouro da cidadania e assuntos sociais, João Afonso.

No final, os representantes das diversas associações que participaram na manifestação usaram da palavra, para abordar temas como a discriminação, a violência, o acesso à saúde e o Sida/HIV.