A administradora do Banco Privado Atlântico Europa (BPAE) Graça Proença de Carvalho disse esta quinta-feira no julgamento da Operação Fizz que aprovou o empréstimo de 130 mil euros para o arguido Orlando Figueira sem garantias, mas com condições.

Graça Proença de Carvalho, que é administradora do BPAE desde 2009, disse que assinou o empréstimo de 130 mil euros ao ex-procurador e arguido no processo Fizz depois da proposta do departamento comercial e sem pedidos especiais, nomeadamente do presidente do banco Carlos Silva ou o ex-presidente da sonangol Manuel Vicente.

As condições do crédito, disse, era que o arguido não vendesse a habitação sem conhecimento do banco, a transferência de um depósito de 35 mil euros, juntamente com a hipótese de Orlando Figueira subscrever uma carteira de títulos.

Em muitas alturas há operações que tomamos muitos riscos. Não havia garantias, havia condições”, referiu a testemunha, acrescentando que a atividade bancária se baseia em “confiança e risco”.

Graça Proença de Carvalho, filha do advogado Proença de Carvalho, que também será testemunha neste julgamento, disse não conhecer Orlando Figueira, que neste processo está acusado de ter sido corrompido pelo ex-presidente da Sonangol e ex-vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente.

Acusação acha ser suborno

Para a acusação, o empréstimo de 130 mil euros é uma parte do suborno recebido pelo ex-procurador do DCIAP para arquivar inquéritos que envolviam Manuel Vicente.

Não conheço Orlando Figueira. Todas as operações estavam sujeitas a deliberação de dois administradores, depois das propostas dos serviços comerciais mais o parecer de risco”, explicou Graça Proença de Carvalho.

A testemunha garantiu que não recebeu instruções para que a liquidação do empréstimo fosse feita de maneira diferente, referindo que, dado que as contas do arguido estão congeladas, o mesmo ainda não foi liquidado.

Na sessão desta quinta-feira, a defesa do arguido Paulo Blanco pediu revogação da proibição de contactos que constam das medidas de coação às quais está obrigado.

O Ministério Público pediu cinco dias para analisar o pedido.

O julgamento da ‘Operação Fizz’, que começou a 22 de fevereiro faz agora uma pausa para férias judiciais.

O ex-procurador do DCIAP está pronunciado por corrupção passiva, branqueamento de capitais, violação de segredo de justiça e falsificação de documentos, o advogado Paulo Blanco por corrupção ativa em coautoria, branqueamento também em coautoria, violação de segredo de justiça e falsificação de documento em coautoria.