O bastonário da Ordem dos Psicólogos afirma que o valor de três horas de juros da dívida portuguesa pagaria mais de 190 mil horas de intervenção psicológica, abrangendo mais de 20 mil pessoas.

Telmo Batista falava na sessão de abertura do segundo Congresso Nacional da Ordem dos Psicólogos Portugueses e IX Congresso Ibero-Americano de Psicologia, que decorreu em Lisboa.

Com estas contas, Telmo Batista quis demonstrar que a intervenção psicológica é «um investimento a longo prazo».

«Remediar custa mais e causa mais danos», sublinhou.

O bastonário disse que os psicólogos têm assistido ao «grande sofrimento» que os portugueses têm passado «em silêncio», nomeadamente no tempo de crise que se vive.

Estes profissionais presenciam isso mesmo «nas escolas, nos centros de saúde, nos consultórios», acrescentou.

A este propósito, afirmou que os psicólogos «compreendem as dificuldades em fazer crescer os serviços» neste contexto de crise.

«Os psicólogos não podem, contudo, aceitar que os seus pedidos sejam aceites depois de todos os outros, principalmente quando sabem que podem ajudar», disse.

Além de lembrar a importância de aumentar a presença dos psicólogos nos serviços de saúde, Telmo Batista lamentou ainda que os seguros não cobrem os cuidados psicológicos.

Presente na sessão, o ministro da Saúde classificou os psicólogos como «uma ferramenta indispensável» em muitos serviços de saúde, como nas áreas das dependências, doentes crónicos, apoio aos jovens, entre outros.

Paulo Macedo reconheceu as dificuldades no mercado de trabalho com que os psicólogos se deparam, mas garantiu que o Ministério da Saúde tem vindo a recorrer a estes profissionais de forma crescente.

Este congresso, que decorre no Centro Cultural de Belém, conta com 2.150 participantes, de 28 países.