O secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) considerou, esta quinta-feira, como "demagógica" a ideia de que Estado deve assegurar vagas de formação para todos os internos do país.

Temos de ser realistas e sérios. Não é possível estar a dizer aos estudantes de Medicina hoje que todos eles vão ter acesso a especialidades hospitalares nos centros de saúde", declarou o secretário-geral do SIM, na Horta, Açores.

Esta semana, a Ordem dos Médicos (OM) informou que cerca de 600 médicos internos não vão ter vaga para a sua formação na especialidade no próximo ano, um número que nunca foi tão elevado e que resulta, segundo a OM, “da falta de planeamento”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do Conselho Nacional do Internato Médico da Ordem dos Médicos, Edson Oliveira, disse que para o próximo ano foram estipulados 1.600 locais idóneos para a formação dos médicos.

Contudo, existem cerca de 2.200 que estão neste momento no internato geral e que em junho vão escolher a especialidade que querem seguir.

A Ordem dos Médicos nunca deu tanta capacidade formativa como este ano e atingiu o seu limite. Teria de chegar um dia ao limite”, disse Edson Oliveira.

Sem vaga para a sua formação na especialidade ficarão 600 médicos que, após os seis anos de formação universitária, realizaram já o internato comum.

Para Jorge Cunha, a solução para o problema passa por maximizar as possibilidades de formação e as vagas para os internos, e desenvolver "outro tipo de áreas", onde esses médicos possam trabalhar, como a saúde desportiva ou a saúde escolar.

Há, neste momento, uma falta imensa de médicos, mas daqui a dez anos haverá um excesso de médicos, por isso, nós não embarcamos na demagogia de podermos garantir tudo a todos", advertiu o secretário-geral do SIM, que se encontra nos Açores numa visita que termina no sábado, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel.