O próximo ano deverá ser o primeiro em que há desemprego de médicos em Portugal, apesar de o país ter défice de clínicos e muitos emigrarem em busca de melhores condições de trabalho, segundo um retrato traçado pela Ordem.

«A Ordem não exige que os médicos tenham todos empregos no Serviço Nacional de Saúde. O que pretendemos é que sejam contratados todos os que são necessários e isso não está a acontecer», afirmou o bastonário José Manuel Silva, durante um encontro com jornalistas em Lisboa, em que apresentou o XVII Congresso Nacional de Medicina, que decorre entre quarta e sexta-feira da próxima semana.

O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Jorge Mendes, sublinhou também que este Congresso é «o primeiro em que muitos profissionais vão fazer o juramento de Hipócrates, mas sem garantias de aceder à carreira profissional».

O bastonário adiantou que só este ano já emigraram 400 médicos portugueses, insistindo que a sua preocupação é que «venha a haver desemprego em Portugal, quando há necessidade de médicos».

A atual emigração de médicos explica-se essencialmente pela falta de condições de trabalho e de remuneração, sendo que é no interior do país que mais começa a ser evidente a falta de profissionais de saúde.

«Estamos a formar médicos acima das necessidades do país e sobretudo o interior do país vai ficar sem médicos», afirmou José Manuel Silva.

Num inquérito recente feito pela Ordem ao universo de cerca de sete mil internos de especialidade, 65% dos inquiridos afirmaram que consideram a hipótese de emigrar, um número que o bastonário julga «significativo».

Formação médica, qualidade da medicina em Portugal e condições de trabalho dos clínicos são alguns dos temas a abordar no XVII Congresso Nacional de Medicina, que coincide com o VIII Congresso Nacional do Médico Interno.