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OM critica Governo por fazer reformas sem ouvir médicos

Em causa a reorganização dos cuidados hospitalares

Por: tvi24    |   2012-02-23 20:49

O Bastonário das Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, criticou o Ministério da Saúde por não ouvir a Ordem em relação à reorganização dos cuidados hospitalares e avançar com reformas sem medir os impactos para as populações.

«Não compreendemos que projetos de reorganização, com o impacto que têm para as populações onde vão ser implementados, sejam feitos sem ouvir os profissionais que conhecem o terreno, as dificuldades e podem contribuir para as soluções», afirmou o Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, numa conferência de imprensa nas Caldas da Rainha.

Para o bastonário, «é lamentável» que os médicos sejam olhados pela tutela «como avessos às reformas» e que «o seu conhecimento não seja aproveitado» numa reforma em que os médicos «querem colaborar».

José Manuel Silva associava-se assim às críticas dos órgãos do Distrito Médico do Oeste, com sede nas Caldas da Rainha, que, na mesma conferência, consideraram «inconcebível e lastimável» não terem sido ouvidos pela Administração Regional de Lisboa e Vale do Tejo em relação à proposta de fusão dos centros hospitalares Oeste Norte e Sul.

A proposta aponta para a criação de uma único centro hospitalar (CHO) para todo o Oeste, servindo cerca de 350 mil habitantes e uma área de 120 km, e é considerada «absolutamente insensata» pelo responsável do Distrito Médico do Oeste, Pedro Coito, para quem o novo CHO será «dificilmente governável».

As distâncias entre municípios da área a servir (Alcobaça, Bombarral, Caldas da Rainha, Nazaré, Óbidos e Peniche Cadaval, Lourinhã, Torres Vedras e parte do concelho de Mafra) «aconselhariam que as populações de Nazaré e Alcobaça tivessem como hospitais de referência os de Leiria e de Coimbra em vez do hospital das Caldas e o de Santa Maria», defendeu Pedro Coito, criticando o facto de os doentes terem «que percorrer distâncias na ordem dos 120 quilómetros para realizar exames que poderiam fazer no seu local de residência».

A distrital Oeste da Ordem não contesta que as especialidades médicas possam ser repartidas entre os hospitais de Caldas e Torres Vedras, mas considera «inimaginável» que as urgências médico cirúrgicas fiquem concentradas nas Caldas da Rainha que passará a receber «uma afluência de doentes superior à de muitos hospitais de Lisboa e do Porto».

A proposta de reorganização, que a ARSLVT disse à Lusa não ser ainda definitiva e cuja versão final «deverá ser conhecida dentro de duas semanas», carece, segundo o distrito médico do Oeste, «de qualquer fundamentação sólida», confundindo «de forma simplista o funcionamento e caraterísticas de algumas valências hospitalares» e sugerindo «soluções que são simplesmente inexequíveis».

Ainda assim a Ordem dos Médicos deixou expressa a disponibilidade para colaborar na reestruturação dos cuidados de saúde na região, com a ressalva de «não permitir que se desça abaixo dos critérios mínimos de qualidade da assistência aos doentes», rematou José Manuel Silva.

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