A Ordem dos Enfermeiros (OE) afirmou este sábado que a contratação de «umas dezenas de profissionais de enfermagem», anunciada pelo ministro da Saúde, pretende «responder ao alarme social» provocado pelas mortes nas urgências e não resolver o problema.

O titular da pasta da Saúde, Paulo Macedo, «anunciou recentemente a contratação de umas dezenas de profissionais de enfermagem, mas esta medida, aparentemente reativa, apenas pretende responder ao alarme social que a morte de utentes nas urgências provocou», sustenta a Secção Regional do Centro (SRC) da OE, numa nota enviada à agência Lusa.

A decisão do Ministério da Saúde (MS) surge «depois de o país assistir à incapacidade dos serviços de urgência em gerir o fluxo de utentes e de lhes dar a resposta adequada e em tempo útil», sublinha a Secção do Centro da OE, considerando que a contratação daqueles profissionais pretende «apenas camuflar um problema, mas não resolvê-lo».

Os doentes que «recorram às urgências terão de ser encaminhados para outros serviços para receberem os cuidados de saúde de que necessitam, mas nestes serviços as lacunas de profissionais de enfermagem também existem, e com idêntica gravidade», adverte a SRC da organização dos profissionais de enfermagem.

A SRC da OE «tem vindo a comunicar às administrações regionais de saúde e a outras entidades com responsabilidades nesta matéria as graves carências de enfermeiros nos serviços de internamento», mas «só pontualmente é desbloqueada a contratação de alguns profissionais, sempre em número manifestamente insuficiente», assegura a Ordem, referindo na região Centro casos como os dos centros hospitalares de Entre Douro e Vouga, de Tondela/Viseu e do Baixo Vouga.

«Se o caos ainda não se instalou noutros serviços, muito se deve à dedicação dos profissionais de enfermagem que, exaustos, com dezenas de horas de trabalho a mais cada mês procuram evitar que os serviços entrem em colapso», afirma a Ordem.

O recente anúncio de novas contratações, feito pela tutela, é «obviamente bem-vindo», afirma ainda a SRC da OE, que manifesta, no entanto, preocupação que «possa ser apenas uma medida reativa e que apenas responde ao alarme social, e não à consciência de uma necessidade».

A Secção do Centro da OE questiona, por isso, se o MS «vai adotar uma política de gestão do caos, como aconteceu com as urgências hospitalares» e aguardar que «situações graves aconteçam noutros serviços, para minorar as críticas lacunas de profissionais de enfermagem».