O administrador do Grupo Lena Joaquim Barroca foi detido quarta-feira à noite, depois de buscas realizadas à sede do grupo, em Quinta da Sardinha, no concelho de Leiria, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Segundo a mesma fonte, Joaquim Barroca foi detido no âmbito da «Operação Marquês», que envolve o ex-primeiro-ministro José Sócrates.  Nas buscas terão participado o procurador Rosário Teixeira e o juiz Carlos Alexandre.

O advogado Castanheira Neves, defensor do administrador do grupo Lena, encontra-se no Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) em Lisboa, onde, durante esta tarde, Joaquim Barroca será inquirido pelo juiz Carlos Alexandre.

A TVI sabe que o Ministério público suspeita de corrupção ativa, o que significa que Joaquim Barroca teria oferecido contrapartidas em troca da adjudicação de vários contratos com o Estado, de que beneficiou o grupo Lena. Desde parcerias rodoviárias, ao TGV, passando pela «Parque Escolar», além da construção de 50 mil casas na Venezuela.

Os contratos terão sido realizados numa altura em que José Sócrates era primeiro-ministro, entre 2007 e 2011, um indício forte para o MP, que terá conseguido detetar a transferência de, pelo menos, 2 milhões de euros das contas pessoais de Joaquim Barroca Rodrigues e António Barroca Rodrigues para contas de Carlos Santos Silva na Suíça, que segundo o MP pertencem, de facto, ao ex-primeiro-ministro José Sócrates.

Lembre-se que na altura que José Sócrates foi ouvido, o ex-primeiro-ministro negou todas as acusações, afirmando que o dinheiro em questão pertence a Carlos Santos Silva, e lhe foi apenas emprestado. 

A Procuradoria-Geral da República já confirmou, em comunicado, a detenção no âmbito da «Operação Marquês» e adiantou que foram «também realizadas buscas domiciliárias e nas instalações do Grupo Lena».

A PGR afirma ainda que as diligências foram levadas a cabo por dois magistrados do Departamento Central de  Investigação e Ação Penal (DCIAP) e que o Ministério Público foi coadjuvado pela Autoridade Tributária (AT) e pela Polícia de Segurança Pública (PSP).

Joaquim Barroca Rodrigues é um dos administradores do Grupo Lena e um dos principais acionistas, filho do fundador da empresa.

No âmbito da Operação Marques está detido desde novembro do ano passado no Estabelecimento Prisional de Évora o ex-primeiro-ministro José Sócrates, indiciado por corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

O processo tem também como arguidos João Perna, ex-motorista de José Sócrates, o empresário Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda Castro.

Esta é a quinta detenção no âmbito do processo e Joaquim Barroca é o sexto arguido.

Joaquim Barroca é a segunda pessoa com ligações ao Grupo Lena a ser detida no âmbito da «Operação Marquês», que investiga crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção, depois da detenção do ex-administrador Carlos Santos Silva.

Em novembro último, no âmbito da mesma operação, foi detido Carlos Santos Silva, que foi administrador do Grupo Lena entre março de 2008 e outubro de 2009, assim como o ex-primeiro-ministro José Sócrates, ambos em prisão preventiva.

Num comunicado emitido em janeiro, na sequência de notícias divulgadas na imprensa, o grupo informou que Carlos Santos Silva «tem trabalhado com empresas do Grupo Lena desde finais da década de 80, designadamente prestando assessoria técnica e fazendo projetos de obras para Portugal e vários países».

Segundo o mesmo comunicado, entre 2005 e 2010 «as empresas do Grupo Lena efetivamente contrataram e pagaram serviços a empresas detidas pelo eng.º Carlos Santos Silva no valor total de 3.287.600 euros».

No seu sítio na Internet, o Grupo Lena informa que emprega mais de 2.500 colaboradores e desenvolve a sua atividade através de oito áreas de negócio, representando um «contributo na economia regional e nacional superior a 200 milhões de euros em salários e 64 milhões de impostos por ano», tendo, nos últimos quatro anos, representado igualmente «mais de 300 milhões de euros em exportações de bens transacionáveis».

Ainda de acordo com o site, o Grupo Lena remonta à década de 1950, com a atividade de António Vieira Rodrigues, pai de Joaquim Barroca, ligada às terraplanagens e construção.

Em 1974 foi constituída a Construtora do Lena, que, antes do ano 2000, ano em que foi formalmente criado o grupo e organizadas áreas de negócio, «já era uma das maiores empresas nacionais de construção e obras públicas», refere o site.

Antes, em 1996, arrancou a internacionalização do grupo no Brasil, estando agora «igualmente presente em Angola, Argélia, Bulgária, Espanha, Marrocos, Moçambique, Roménia e Venezuela». Mais recentemente, entrou nos mercados da Colômbia e do México.

Foi através de negócios na Venezuela, no caso a construção de milhares de casas, mas também devido a negócios na área da comunicação social – chegou a deter o jornal i -, que o grupo ganhou projeção mediática.

Em 1998, ocorreu a primeira participação do grupo numa parceria público-privada com a Autoestradas do Atlântico, sendo a segunda, em 2004, com a Brisal, e no período 2005-2011, na Autoestradas do Baixo Tejo.

As suas áreas de negócio são atualmente o ambiente & energia, automóveis, comunicação, construção, imobiliária, indústria & serviços, turismo e internacional.