Sete detidos e 250 mil euros apreendidos é o resultado de uma operação realizada hoje pela Polícia Judiciária contra o comércio ilegal de ouro e que envolveu 115 buscas em Portugal, informou a PJ.

Trata-se de seis homens e uma mulher, com idades entre os 40 e os 60 anos, suspeitos de associação criminosa, fraude fiscal e branqueamento de capitais, refere o comunicado.

Durante a operação «Glamour», a PJ apreendeu ainda 22 armas de fogo, 250.000 euros em dinheiro, e ouro de valor «ainda não determinado», mas estimado em «várias centenas» de quilogramas, assim como viaturas topo de gama e «diversos bens móveis, imóveis e financeiros (contas bancárias e outros instrumentos financeiros) no valor aproximado de 15 milhões de euros».

Na mesma operação, foi detido outro suspeito em flagrante delito por posse de arma de fogo ilegal.

A operação «Glamour» resultou de investigações desenvolvidas pela diretoria do Norte da PJ, e a correr termos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Segundo a PJ, a investigação permitiu determinar a existência de um grupo de pessoas do setor de compra e venda de metais preciosos que atuava de forma concertada e permanente e que efetuava transações comerciais sem as declarar à Autoridade Tributária e Aduaneira ou fazendo-o com falsidade, tendo lesado o Estado em «dezenas de milhões de euros em sede de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) e Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)».

Até ao momento, refer a nota, só IRC e IVA relativos ao ano de 2012, «estima-se uma fraude de 30 milhões de euros imputados» ao grupo, cujas vantagens patrimoniais «eram ocultadas ou aplicadas em operações de compra de património em nome de terceiros».

Hoje, a operação mobilizou mais de 300 funcionários de investigação criminal da PJ e 90 inspetores da AT.

Entretanto, segundo o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Polícia Judiciária (ASFIC/PJ), a operação policial foi prejudicada pela greve às horas extraordinárias que os inspetores da PJ estão a realizar.

Carlos Garcia disse à Lusa que «esta operação já tinha sido marcada e depois foi desmarcada por causa da greve», referindo que «as buscas deveriam ter começado às 7:00 de manhã, mas só começaram às nove» devido à greve.

As diligências da PJ, ainda segundo o presidente da estrutura sindical, «começaram às nove da manhã, foram interrompidas às 13:00 para almoço, foram retomadas às 14:00 e interrompidas novamente às 18:00, prosseguindo amanhã [quarta-feira]».

Apesar dos «contratempos» relacionados com a greve, presidente da ASFIC, espera que «a operação tenha o maior sucesso», alegando que «os inspetores da PJ trabalham com total profissionalismo das 9:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00».