O mundo está melhorzinho, mas enfrenta novas doenças. E no caso de Portugal, são fatores como o excesso de peso e o VIH que baixam os indicadores de um índice incluído num estudo apresentado nas Nações Unidas, em Nova Iorque, agora divulgado pela revista The Lancet.

O estudo é o primeiro a avaliar o desempenho dos países nas metas relativas à Saúde inscritas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Na sua investigação, os cientistas liderados por Stephen Lim, da Universidade de Washington, em Seattle, nos Estados Unidos, usaram dados do estudo sobre o Peso Global da Doença para avaliarem o desempenho de 188 países, em 33 dos 47 indicadores relativos à saúde nos ODS, classificando-os num índice que vai de zero (o pior) a 100 (o melhor).

O índice é liderado por Islândia, Singapura e a Suécia, três países com 85 pontos. Na cauda da tabela estão a República Centro-Africana (20 pontos), a Somália e o Sudão do Sul (ambos com 22 pontos).

Com 78 pontos, Portugal surge na 22.ª posição, uma colocação pressionada pelos maus resultados em indicadores como o VIH ou o excesso de peso. Ainda assim, acima de países como França (24.º), Grécia (26.º) ou os EUA (28.º). Mas abaixo de Espanha (7.º), Irlanda (13.º) e Itália (20.º).

Entre os outros países lusófonos, o Brasil reúne 60 pontos e fica na 90.ª posição, com a violência como o pior indicador; Timor-Leste e Cabo Verde, no 122.º e 123.º lugares, respetivamente, têm ambos 53 pontos.

Timor-Leste tem a malária como o pior indicador, enquanto em Cabo Verde são a água e a higiene os indicadores com piores resultados.

A Guiné Equatorial tem 36 pontos e está na 157.ª posição, enquanto Angola está na 170.ª, com 32 valores, sendo ambos os países prejudicados pelos indicadores malária, água e higiene.

A Guiné-Bissau e Moçambique (176.º e 177.º lugares, respetivamente, têm ambos 29 pontos, sendo os indicadores mais preocupantes o acesso à água, higiene e a poluição do ar interior).

Progressos e obstáculos

O mundo, de acordo com o estudo, registou progressos na saúde desde 2000, nomeadamente na mortalidade infantil e neonatal ou no acesso aos cuidados de saúde. Há, contudo, alguns indicadores que pioraram, como a obesidade infantil, a violência doméstica ou o alcoolismo.

Definidos em 2015 para suceder aos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, que expiraram nesse ano, os ODS são 17 objetivos universais, 169 metas, e 230 indicadores que visam abordar problemas globais como a segurança alimentar, a pobreza, o acesso à água ou as alterações climáticas e que têm como prazo o ano 2030.

Sendo a saúde um setor central nos ODS, o estudo agora apresentado conclui que se verificam progressos nalguns indicadores, mas não noutros como o excesso de peso na infância, a violência doméstica ou o consumo excessivo de álcool.

Embora 60% dos países já tenham alcançado algumas metas para 2030 - redução da mortalidade materna (menos de 70 mortes em cada 100 mil nados vivos) e infantil (25 mortes em cada mil nados vivos), - nenhum país alcançou qualquer das nove metas para a eliminação total de doenças como a tuberculose e o VIH.

O frágil progresso no combate a estas duas doenças nos últimos 25 anos leva mesmo os autores a considerar irrealista o objetivo de eliminá-las nos próximos 25 anos.

O estudo permite ainda concluir que menos de um quinto dos países conseguiu eliminar o baixo peso e baixa estatura nas crianças com menos de cinco anos ou alcançar o acesso universal a fontes seguras e económicas de água e saneamento.