O cordão dunar da Costa da Caparica resistiu ao estado do mar na preia-mar de hoje à tarde e as previsões apontam para uma melhoria das condições meteorológicas nos próximos dias, informou o comandante adjunto da Capitania de Lisboa.

«Tudo indica que o pior já passou», disse Cruz Gomes à agência Lusa, convicto de que o estado do mar vai melhorar e que já não haverá risco de rutura do cordão dunar das praias da Caparica nos próximos dias.

A previsão do estado do tempo «indica que o estado do mar vai ter uma melhoria, que as marés serão cada vez mais pequenas e que o vento também vai diminuir de intensidade a partir desta tarde», acrescentou, salientando que se trata de um cenário favorável, depois da forte ondulação do mar nos últimos dias.

Durante a tarde deste domingo ainda havia o receio de uma eventual rutura do cordão dunar da Caparica, nas zonas onde se apresentava mais fragilizado devido às condições climatéricas adversas, mas esse cenário acabou por não se verificar.

Apesar das previsões favoráveis do estado do tempo, a Capitania do porto de Lisboa deverá manter a ordem de interdição à circulação de pessoas nas zonas mais perigosas da Caparica, pelo menos até segunda-feira.

Também o comandante dos Bombeiros de Ovar disse hoje ao final da tarde que a agitação marítima no Furadouro, em Ovar, é esta tarde de «acalmia», depois de o pico da maré ter passado sem acrescentar danos aos da madrugada, ainda por contabilizar.

Durante a tarde de hoje, quando se esperava a preia-mar, estiveram apostos na praia do Furadouro, no distrito de Aveiro, 30 bombeiros e cinco viaturas de socorro para lidar com eventuais operações de emergência.

O comandante Carlos Borges adiantou à Lusa que «esteve tudo controlado» e que a «situação da madrugada foi muito pior». Entre as 04:30 e as 05:30, o mar «esteve bastante alterado e galgou a marginal toda», acabando por danificar o murete que separa a praia da estrada levando a água aos estabelecimentos comerciais do rés-do-chão, explicou.

Outa fonte dos bombeiros explicou que os estragos foram acentuados devido ao desnível da Avenida Central do Furadouro. «Na zona do muro da praia, o piso é plano, mas meia dúzia de metros à frente a avenida das lojas é toda a descer até ao fundo levando a água a deslizar até às casas», explicou.

Um dos estabelecimentos afetados pelo avanço do mar durante a madrugada foi o Café Amadeu, que, incluindo snack-bar, restaurante e pensão, tem duas frentes para a rua: uma virada para o mar, outra para a referida avenida em cota descendente. Às quatro da manhã, o proprietário estava no local a tentar prevenir estragos, mas já não teve tempo de os evitar.

«Eu também sou marítimo, gosto de andar na minha pesca e sei ver quando o mar está ruim», disse, adiantando: «vim cá pôr umas placas para proteger as montras, mas veio uma onda com pedras e a água entrou».

Entre os estragos nesse espaço, que aí funciona desde 1974, inclui-se uma montra de vidro partida, uma porta com ferrolhos derrubada e louça quebrada.

«Tinha uns hóspedes que estavam no primeiro andar da pensão a ver o mar e até eles levaram com a água», acrescentou João Serralheiro.

Após a operação de limpeza, o estabelecimento funcionou durante a tarde, «porque fechar ainda dava mais prejuízo». A contabilidade dos estragos, contudo, só será feita na segunda-feira.

O comandante dos Bombeiros de Ovar adiantou à Lusa que, apesar de o próximo pico da maré, às 06:00, seja previsivelmente mais pacífico, irá enviar para o local meios operacionais, como prevenção.