O pediatra Bilhota Xavier revelou, esta quarta-feira, que um terço dos hospitais com maternidades realiza menos de 1.500 partos por ano e todos os localizados no interior fazem menos de 1.000, defendendo medidas para assegurar a formação dos profissionais.

Bilhota Xavier, presidente da Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente (CNSMCA), revelou estes dados durante uma reunião deste organismo com os seus representantes regionais.

Segundo avançou, dos 45 blocos de partos que existem em Portugal, 15 realizam menos de 1.500 partos anuais, limite abaixo do qual a Organização Mundial de Saúde não recomenda a manutenção destes serviços.

Os blocos nos centros hospitalares do Nordeste, de Torres Vedras, do Médio Tejo e as unidades locais de saúde da Guarda, de Castelo Branco, do Alto Alentejo e o Hospital de Angra do Heroísmo realizam menos de mil partos por ano.

Para Bilhota Xavier, o encerramento destes blocos não é a solução, pois em termos sociais é preciso «garantir estruturas de apoio às populações», nomeadamente no interior.

A solução passa por assegurar a formação dos profissionais que trabalham nestas instituições, razão que levou a CNSMCA a propor ao Ministério da Saúde uma formação nesta área para pelo menos um terço dos profissionais.

Bilhota Xavier defendeu ainda a alteração da regulamentação sobre os blocos de partos privados, exigindo o mesmo grau de exigência que é pedido às instituições públicas.

«Pelo menos têm de estar sempre presentes um obstetra, um pediatra e um enfermeiro», disse, lamentando que isso nem sempre aconteça.

Por outro lado, tendo em conta a baixa da natalidade, o pediatra estima que a crescente abertura de hospitais privados com blocos de partos não será acompanhada do crescimento de partos, pondo assim em causa a experiência dos profissionais.