Nem todo o peixe gordo que consumimos é uma boa fonte de Ómega 3, um ácido gordo essencial para o desenvolvimento e crescimento do organismo e que o corpo não consegue produzir. O alerta é deixado por Alexandra Vasconcelos, especialista em medicina biológica, entrevistada no «Diário da Manhã» da TVI, no dia em que se assinala o Dia Internacional do Ómega 3.
 
A especialista toma como exemplo o salmão, que associamos automaticamente a um peixe rico em Ómega 3.
 

«Se for salmão de águas frias de alto mar, são ricos nos tais EPA e DHA, (…) já que o salmão se alimenta de plâncton e eles próprios conseguem produzir esses ómegas 3. Acontece que, muitas vezes o salmão que comemos é salmão de cativeiro, em que a alimentação já é através de farinha e o peixe já não tem Ómega 3».

 
O Ómega 3 é um tipo de ácido gordo essencial para o normal crescimento e desenvolvimento do ser humano. Como não é naturalmente produzido pelo organismo, tem de ser obtido através da alimentação ou da ingestão de suplementos. As melhores fontes de Ómega 3 são os peixes gordos como o atum, salmão, sardinhas, anchovas, truta e cavala.
 
Outras espécies muito comuns em Portugal como o polvo, lulas e camarão também contêm quantidades significativas destes ácidos gordos. O consumo recomendado de Ómega 3 é de 250 gramas por dia.


 
«Além da fonte dos peixes, temos também a fonte vegetal, nomeadamente as sementes de linhaça, que têm muita quantidade de um ácido, que é o ácido linoleico», acrescenta a especialista


 

«Se calhar as pessoas não têm muita noção que as algas também têm Ómega 3, especialmente a fração DHA».

 
Alexandra Vasconcelos deixa ainda um conselho para que, no processo de preparação dos alimentos, não destruamos o Ómega 3 presente nos alimentos: «devem ser consumidos com temperaturas de cozedura o mais baixas possível, para que não haja oxidação».
 
Mesmo com todos os cuidados alimentares, a especialista sublinha que «é importante pensarmos na suplementação, porque a alimentação já não nos dá o aporte necessário» de Ómega 3.
 

«Não pode ser um suplemento qualquer. No Ómega 3, não podemos ir pelo mais barato, se não, mais vale não tomar. Se estamos a escolher um Ómega 3 temos de confirmar se tem certificados, que nos garantam que esse Ómega 3 que estamos a tomar não está oxidado e não está contaminado».

 
E Alexandra Vasconcelos deixa um truque caseiro para confirmar a qualidade dos suplementos de Ómega 3 que estamos a tomar: «se pusermos uma cápsula no congelador, essa cápsula não pode congelar»