A segurança dos 13 ministérios vai ser reforçada com uma média de 20 agentes, depois da invasão de quatro ministérios na terça-feira por sindicalistas que reclamavam contra a austeridade.

Sindicalistas ocuparam quatro ministérios na terça-feira

O secretário-geral da CGTP afastou esta quarta-feira a ideia de o Serviço de Informações de Segurança (SIS) se preocupar com ações da central sindical, como a invasão a ministérios na terça-feira, alegando que a intenção não é gerar violência.

«Creio que o SIS tem mais com que se preocupar do que com as lutas dos trabalhadores e as intervenções e ações da CGTP», afirmou Arménio Carlos em declarações à Lusa, acrescentando que os representantes da central sindical não pretendem gerar violência, mas «combater a violência das políticas» do Governo.

Várias dezenas de sindicalistas invadiram na terça-feira quatro ministérios - Economia, Finanças, Ambiente e Saúde - numa operação-surpresa que apanhou as forças de segurança desprevenidas.

De acordo com o «Diário de Notícias» desta quarta-feira, a iniciativa não foi antecipada pelo SIS nas avaliações de ameaças relacionadas com as manifestações, tendo o comando da PSP destacado, na tarde de terça-feira, cerca de 300 elementos das Equipas de Intervenção Rápida para reforçar a segurança de 13 ministérios, colocando, em média, 20 agentes em cada local.

O jornal adianta ainda que se criou um clima de mal-estar na PSP por considerarem ter havido uma falha do SIS na antecipação deste tipo de ação de protesto.

«Se o SIS se quiser preocupar, pode preocupar-se e acompanhar de uma forma mais permanente a fraude de evasão fiscal, aqueles que têm aqui os lucros e não pagam impostos, aqueles que estão envolvidos em negócios de alto gabarito sem qualquer tipo de penalização, é por aí que o SIS deve intervir e não tanto estar preocupado com as lutas dos trabalhadores e muito menos com a intervenção da CGTP», defendeu Arménio Carlos.

A invasão dos ministérios foi, segundo o secretário-geral da CGTP, uma iniciativa inserida no dia da Indignação, Protestos e Lutas, como classificou a central sindical ao dia da aprovação do Orçamento do Estado para 2014.

«A nossa estratégia é só uma: pôr termo à violência desta política que está não só a esmagar os rendimentos dos trabalhadores e pensionistas como a dizimar o desemprego, a forçar os nossos jovens a emigrar e também a deixar os nossos desempregados sem qualquer tipo de proteção social», justificou.

«É uma estratégia de luta contra a violência que este Governo está a desenvolver contra o país e contra o povo português», acrescentou.

Embora tenha preferido manter segredo sobre eventuais novas iniciativas, Arménio Carlos defendeu que os sindicalistas «têm de puxar pela imaginação para forçar o Governo a ouvi-los», já que o executivo tende a ser «cego, surdo e mudo em relação aos problemas que lhe são colocados», cita a Lusa.