A Comissão Europeia considerou que o estudo TALIS da OCDE, sobre condições de ensino em mais de 30 países, tem «implicações preocupantes para o futuro do ensino enquanto carreira» e apelou à adoção de medidas que valorizem a profissão.

«A menos que os Estados-Membros intervenham para atrair e manter os melhores professores, estaremos a comprometer os progressos na melhoria da qualidade do ensino na Europa. A Comissão está disposta a ajudar os Estados-Membros a conceber políticas e medidas para tornar a profissão de professor mais aliciante», afirmou a comissária europeia da Educação, Androulla Vassiliou, citada pela representação da Comissão Europeia em Portugal, em comunicado.

Uma das principais conclusões do inquérito TALIS 2013 (Teaching and Learning International Survey) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), hoje divulgado, e que foi aplicado em mais de 30 países a uma amostra de professores do 3.º ciclo e diretores escolares, aponta para um sentimento generalizado de desvalorização social da carreira docente.

A falta de programas de formação inicial ou acompanhamento de docentes que ingressam na carreira foi uma das falhas apontadas pelo TALIS 2013, e um dos países onde essa ausência de apoio inicial é mais evidente é Portugal, recomendando a Comissão Europeia que «os Estados-Membros devem garantir que a formação inicial de professor seja seguida de um apoio sistemático no início da carreira», sublinhando que os ministros da Educação comunitários acordaram recentemente um reforço da formação dos professores e a definição clara do que devem ser as suas competências.

A Comissão Europeia entende ainda que devem ser tomadas medidas para «atrair e reter os melhores professores», uma vez que 36% dos inquiridos disseram trabalhar em escolas onde faltam docentes com as qualificações necessárias.

Em Portugal, os docentes afirmaram que a área em que mais precisam de formação é a educação especial.

A percentagem de 15% de professores que no ano anterior ao inquérito não frequentou qualquer atividade de desenvolvimento profissional também preocupada a Comissão Europeia, que recomenda que «os Estados Membros devem colocar uma tónica acrescida em ações eficazes de desenvolvimento profissional e aprendizagem colaborativa, na medida em que este exercício incentiva os professores a usar métodos inovadores de ensino e aprendizagem».

O TALIS 2013 indica ainda que as 40 horas de trabalho semanais dos professores se dividem em 21 horas de aulas, 9 de preparação de aulas e 10 de correção de trabalhos dos alunos.

Nestas três componentes Portugal está sempre acima da média da OCDE, mas é no tempo despendido a corrigir trabalhos que os professores portugueses mais se afastam da média dos 30 países, que se fixa nas 5 horas semanais para este tipo de trabalho.