O porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) considerou hoje que a manifestação de polícias de quinta-feira não escalou para um nível de violência devido ao profissionalismo e bom senso dos dois lados.

Há duas coisas a destacar: «O elevado nível grau de profissionalismo por parte das forças e serviços de segurança que contiveram sensatamente a manifestação e, por outro lado, a sensatez e o bom senso da organização da manifestação, que impediu que a manifestação entrasse noutros campos como na última», defendeu Filipe Pathé Duarte.

Apesar de a manifestação ter provocado dez feridos, o porta-voz do OSCOT refere que o resultado não deve ser visto com demasiada preocupação: «Esses dez feridos são ligeiros e são fruto de uma certa situação de tensão e de escaramuça, que é normal que exista naquele clima de tensão».

Embora Filipe Pathé Duarte considere «importante ouvir e perceber aquilo que é reivindicado», também é preciso «não densificar a manifestação social».

Milhares de elementos das forças e serviços de segurança manifestaram-se na quinta-feira frente ao parlamento, numa ação de protesto em que a tensão foi elevada, com manifestantes a conseguirem invadir parte da escadaria da Assembleia.

O protesto contra cortes salariais e congelamento das carreiras intensificou-se com a chegada dos manifestantes, pelas 20:15, ao largo em frente à Assembleia da República, em Lisboa.

À espera, os manifestantes tinham um contingente policial superior ao normal em circunstâncias anteriores, disposto num perímetro em torno da escadaria da Assembleia.

Manifestantes derrubaram barreiras de segurança e fizerem a primeira tentativa da noite para aceder à escadaria do parlamento.

Apesar do reforço policial e de apelos à calma feitos pelos organizadores da manifestação, alguns manifestantes acabaram por conseguir furar a barreira policial e invadir as escadas.

Adiantando que «uma manifestação daquele nível» deve levar o Governo a encetar negociações com as forças policiais, Pathé Duarte rejeita que exista qualquer ameaça à segurança.

«Não creio minimamente que a condição securitária seja beliscada por estas manifestações», sublinhou.

«Acima de tudo há que ter em conta, não só o profissionalismo das forças e serviços de segurança, como também a própria consciência profissional desses mesmos agentes» e «também é preciso ter em conta que a manifestação não representou a totalidade das forças e serviços de segurança», concluiu.