O presidente da Infraestruturas de Portugal (IP) esclareceu, esta quinta-feira, que a obra de reparação da Ponte 25 de Abril “não é urgente”. Mais: se houvesse perigo, a infraestrutura “estaria fechada”.

“Não é uma obra urgente nem emergente, apesar de ser prioritária para a IP".

Em conferência de imprensa na sede da empresa, em Almada, António Laranjo admitiu que a IP já sabia da existência de fissuras na Ponte 25 de Abril - que liga as duas margens do rio Tejo entre Almada e Lisboa - há dois anos, mas rejeitou perigo, alegando que, nessa situação, “a ponte estaria fechada”.

O Ministério das Finanças demorou cerca de seis meses a autorizar a obra de reparação da Ponte 25 de Abril, mas já o fez, segundo o mesmo responsável. A IP deixa a garantia de avançar com o concurso este mês, tendo assinalado já hoje que a obra "não é urgente".

Quando se fala em seis meses [de espera pela autorização] não é exagerado para uma obra desta natureza”.

Mas, atualmente, "não estamos [à espera]". "Temos autorização para lançar os concursos já que, de outra forma, não poderíamos lançá-los”, disse o presidente da IP, António Laranjo, em conferência de imprensa na sede da empresa, em Almada.

O anúncio das obras já tinha sido feito na quarta-feira através de um comunicado da IP à imprensa, um dia antes de a revista Visão noticiar que o Governo recebeu no mês passado um relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) que alerta para a necessidade de “medidas urgentes” de reparação da ponte, depois de “terem sido detetadas fissuras e parafusos soltos, numa zona estrutural da travessia. A revista indicou também que este relatório, confidencial, foi enviado ao Governo há cerca de seis meses.

O responsável da IP notou que toda a programação da obra “é feita com o Ministério das Finanças e com a secretaria de Estado [das Finanças]”, sendo esta a única forma de “avançar com os concursos”.

Nós não pedimos dinheiro para avançar com este concurso público, nós temos um planeamento de obras e colocamos na nossa secretaria de Estado das Finanças os pedidos de autorização de acordo com as prioridades que temos”.

Questionado sobre quando este pedido para avançar com a empreitada foi feito à tutela, o responsável disse que foi “há alguns meses, seguramente, porque não é uma obra que custa assim tão pouco quanto isso”.

De acordo com o presidente da IP, o concurso público internacional de reabilitação da estrutura – que liga as duas margens do rio Tejo entre Almada e Lisboa – terá um montante superior a 20 milhões de euros e deve ser lançado até dia 22 de março.

As obras devem arrancar no final deste ano, início do próximo, e durar dois anos, estimou António Laranjo. “Vai depender de como decorra o concurso. São cerca de seis meses, ainda que possa ser encurtado”.

A Ministra da Presidência, Maria Manuel Leitão Marques, reagiu à polémica depois do Conselho de Ministros se hoje e foi interrogada sobre o facto de o LNEC ter entregado este relatório há um mês e o lançamento do concurso ter sido anunciado apenas na quarta-feira, já depois do fecho da edição da revista. A governante foi perentória: "é uma coincidência". Disse, também, que o Governo reagiu "em tempo adequado"

Oo Ministério das Finanças também esclareceu, em comunicado, que “todos os pedidos de intervenção na Ponte 25 de Abril, nomeadamente os projetos de portarias de extensão de encargos, foram atempadamente aprovados pelos ministérios competentes”.

Quem paga?

António Laranjo notou que todo o investimento na obra será suportado pela IP, já que a Lusoponte apenas “tem uma concessão” daquela infraestrutura.

Nessa concessão, a obrigação que a Lusoponte tem é de tratar o seu pavimento e a camada de desgaste, a camada infraestrutural é tudo pela IP”.

O presidente da IP assegurou ainda “que a ponte vai continuar aberta” e a funcionar normalmente até às obras e durante as mesmas.