As obras de ficção são o tipo de literatura que mais aguça a capacidade intelectual para esclarecer os pensamentos e as emoções dos outros, indica um estudo de investigadores norte-americanos, avançado esta sexta-feira pela agência Lusa.

O exercício de detetar se um sorriso é falso ou se alguém está desconfortável e de avaliar as emoções de familiares ou amigos é realizado diariamente e faz parte do desenvolvimento das relações nas sociedades humanas, assinalam os autores do trabalho divulgado na quinta-feira na revista Science.

Trata-se de um processo mental essencial definido nas ciências cognitivas como «a teoria da mente», precisam.

Os autores, Emanuele Castano, professor de psicologia na New School for Social Research em Nova Iorque, e o seu aluno de doutoramento David Comer Kidd basearam o trabalho em experiências em que pediam a pessoas para lerem histórias curtas de ficção literária, de ficção popular de qualidade inferior e de não-ficção.

Após as leituras, os investigadores avaliaram os processos cognitivos dos participantes que lhes permitiam atribuir uma emoção ou uma intenção a uma outra pessoa com testes como o da leitura dos pensamentos de um outro através dos seus olhos.

As cinco experiências mostraram que os participantes encarregados de lerem obras de ficção literária eram melhores nos testes que os outros.

O estudo revela que o fator determinante para aguçar a capacidade de sondar o mundo interior dos outros é a qualidade das obras de ficção, explicando os investigadores que ao envolverem mais o leitor intelectualmente, este género de obras suscitam o pensamento criativo.

«Como na realidade, os mundos descritos na ficção literária estão cheios de personagens complexas, cuja vida interior raramente é fácil de perceber, exigindo esforço intelectual», sublinham Castano e Kidd, citados pela agência France Presse.

Os investigadores consideram que os resultados do estudo podem ser úteis ao nível da reabilitação de presos ou para ajudar pessoas com autismo a comunicarem melhor com os outros.