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Pais fazem obras em escola que câmara não pode pagar

Autarquia de Espinho louva iniciativa dos encarregados de educação

Por: tvi24 / MM  |  9- 2- 2012  14: 19

Construção

A Associação de Pais da Escola Espinho II vai promover por sua iniciativa uma intervenção de fundo no estabelecimento de ensino, com materiais de construção angariados na comunidade e a execução da obra pelos próprios encarregados de educação.

O presidente da Associação de Pais, José Carlos Alves, disse à Lusa que também vai «vestir um fato de macaco para ajudar nos trabalhos», adiantando que o objectivo do «projecto solidário» é proporcionar à escola a intervenção de que precisa, mas que a autarquia «não tem condições de financiar».

«Ou ficávamos mais não sei quantos anos à espera que a Câmara pudesse fazer as obras, ou arrancávamos nós com o projecto», conta o mentor da iniciativa, que reconhece que, ao princípio, «passava por ser maluco», mas agora já conta com «algum crédito» por parte dos outros pais, tal têm sido as dádivas por parte do crescente número de apoiantes da ideia.

Tintas, vernizes, madeiras e louça sanitária são alguns dos artigos que a Associação de Pais da Espinho II está a reunir para o efeito, de acordo com um projecto de arquitetura que, também assinado pelos elementos «da casa», prevê para diferentes edifícios da escola - abrangida pelo Plano dos Centenários - a recuperação de telhados, a substituição de casas de banho, a criação de um parque infantil e de uma horta pedagógica, e ainda o asfaltamento dos 1500 metros quadrados do recreio.

Quanto à mão-de-obra para concretização da empreitada, José Carlos Alves está a contactar todos os pais cuja profissão seja pertinente para o projecto - «como carpinteiros, picheleiros, trolhas e serralheiros» - e a convocar também todos os outros que, embora profissionais de áreas pouco relacionadas com a construção civil, «continuam a ter mãos ajudar ao fim de semana».

Para o vereador da Educação na Câmara Municipal de Espinho, «esta é uma iniciativa muito meritória, que deve deixar toda a comunidade muito orgulhosa, porque demonstra que, mesmo em tempo de crise e numa situação financeira muito difícil, as coisas podem fazer-se, se houver empenho e dedicação para isso».

«À Câmara, uma obra destas ficaria por 150 a 200 mil euros», disse Vicente Pinto, que é também vice-presidente da autarquia. «Mas, nestas condições de solidariedade, vai envolver uns 2000 a 3000 euros e, numa altura em que se exige tudo ao Estado, este é um exemplo do que a sociedade portuguesa pode conseguir quando atua pelos seus próprios meios», disse.

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