Os óbitos por problemas do aparelho circulatório e por tumores malignos representam mais de metade das mortes registadas em Portugal e aumentaram em 2016, ultrapassando os 61.100 casos.

De acordo com os indicadores do INE relativos ao período 2006-2016 divulgados esta sexta-feira, a propósito do Dia Mundial da Saúde (07 de abril), em 2016 aumentaram 1,1% as mortes causadas por doenças do aparelho circulatório e 2,7% as relativas a tumores malignos, a segunda principal causa de morte no país.

Em 2016 foram registados 110.970 óbitos no país (incluindo 397 de residentes no estrangeiro), sendo que cerca de 54% do total foram provocados pelo conjunto das doenças do aparelho circulatório (32.805) e tumores malignos (27.357).

No ano de 2016, no grupo de causas relacionadas com as doenças do aparelho circulatório, 11.738 óbitos foram motivados por doenças cerebrovasculares e 7.368 por doenças isquémicas do coração.

Enquanto as doenças do aparelho circulatório mataram mais mulheres (18.075) do que homens (14.730) no caso dos tumores malignos acontece o contrário (16.302 homens e 11.055 mulheres).

Quanto às faixas etárias, no mesmo ano, 91,1% do total de óbitos por doenças do aparelho circulatório foram de pessoas com 65 e mais anos e mais de metade (55,1%) foram de mulheres.

Todavia estas causas atingiram mais tardiamente as mulheres do que os homens: enquanto mais de três quartos dos óbitos de mulheres (77,7%) por estas causas ocorreram a partir dos 80 anos, no caso dos homens registaram-se perto de 78,5% a partir dos 70 anos. A maior parte das mortes por tumores malignos (74,5%) atingiram pessoas com 65 e mais anos e 73,0% foram de homens nestas idades. Em comparação com as doenças do aparelho circulatório, o impacto fatal dos tumores malignos ocorreu em idades mais jovens e atingiu com maior intensidade os homens.

No conjunto das mortes provocadas por tumores malignos foram mais frequentes as resultantes de tumor maligno da laringe, traqueia, brônquios e pulmão (4.434 óbitos), tumor maligno do cólon (2.655), tumor maligno do estômago (2.197) e tumor maligno do tecido linfático/hematopoético (2.375).

De acordo com os dados hoje divulgados, no período de 2006 a 2016, as proporções de óbitos por tumores malignos do pâncreas e a proporção de óbitos por tumores malignos do tecido linfático/hematopoético foram as que mais aumentaram, respetivamente em 2,1 p.p. e 1,0 p.p.

Em contrapartida, verificou-se uma diminuição de 2,2 p.p. nas mortes provocadas por tumores malignos do estômago, de 1,1 p.p. nas provocadas pelo tumor maligno do colon, e de 0,7 p.p. nas causadas por tumor maligno da próstata.

Segundo o INE, foram também relevantes os óbitos causados por doenças do aparelho respiratório - que estiveram na origem de 12,1% do total de óbitos -, onde se inclui a pneumonia (6.006 óbitos) que esteve na origem de 5,4% das mortes.

As doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas estiveram na origem de 5% do total de mortes, onde se incluem os óbitos provocados por diabetes mellitus (4.359 óbitos), que representaram 3,9% do total.

As mortes por causas externas de lesão e envenenamento corresponderam a 4,4% do total de óbitos em 2016, destacando-se a importância relativa das mortes por acidentes (2.847 óbitos) e por suicídio e outras lesões autoinfligidas intencionalmente (981 óbitos).

Perto de 95,7% dos 110.573 óbitos de residentes em Portugal foram causados por mortes naturais (motivadas por doenças ou estados patológicos), enquanto a proporção de mortes não naturais (óbitos por causas externas que ocorrem em consequência de lesões provocadas, por exemplo, por acidentes, suicídios, homicídios, catástrofes naturais) foi de 4,3%.