O diretor-geral de Saúde, Francisco George, disse esta terça-feira no Porto que o problema das listas de espera nas cirurgias da obesidade está a ser “resolvido”, admitindo, contudo, a necessidade de “acelerar o acesso dos doentes à cirurgia especializada”.

Estamos a resolver esse assunto. A situação do país não é particularmente preocupante, se compararmos com outros estados membros da União Europeia, mas em particular com os EUA, mas temos de acelerar o acesso dos doentes à cirurgia especializada”, afirmou Francisco George.

O Ministério da Saúde vai avançar com um programa para reduzir as listas de espera nas cirurgias da obesidade e disponibilizar 12 milhões de euros para operar dois mil doentes em 2017.

De acordo com o Diário de Notícias, até junho havia 1.493 doentes à espera, sendo que há muitas pessoas que esperam dois anos pela cirurgia.

Fonte do gabinete do Ministério da Saúde adiantou ao mesmo jornal que “está a ser estudado um programa de financiamento específico a integrar no contrato-programa a estabelecer com os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), incentivando-se a resolução destes casos, recriando um programa que já existiu e foi suspenso recentemente”.

“Prevê-se que inclua cerca de dois mil utentes (o que significaria um crescimento superior a 30% face a 2016), o que representará uma verba de cerca de 12 milhões anuais", adiantou o gabinete de Adalberto Campos Fernandes).

O jornal escreve que o “programa inclui que a avaliação do doente seja efetuada por uma equipa multidisciplinar, por um período não inferior a três anos”.

Segundo o ministério, “são abrangidas por este programa de financiamento as instituições reconhecidas pela Direção-Geral da Saúde, como centro de tratamento ou de elevada diferenciação para o tratamento cirúrgico da obesidade grave”.

O DN escreve ainda, citando dados do Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), relativos a abril, maio e junho, que dos 20 hospitais que apresentam tempos de espera, oito têm tempos de espera superiores aos máximos recomendados de 270 dias para doentes de prioridade normal.

Na lista, refere o jornal, sobressai o hospital de Évora com 703 dias de espera (quase dois anos), o Centro Hospitalar de Gaia/Espinho com 326 dias, Entre o Douro e Vouga (326), o Hospital de São João, no Porto (360).

O DN indica ainda que o “Sistema de Gestão da Lista de Inscritos para Cirurgias mostra que 2015 terminou com 1.289 doentes a aguardar operação”.