A Associação de Doentes Obesos vai lançar esta sexta-feira um manifesto no qual acusa o Ministério da Saúde de querer tratar o menor número possível de doentes e de dificultar o acesso às consultas para a obesidade, noticia a agência Lusa.

«Ao Ministério interessa tratar o menor número possível de doentes obesos, não dando relevância às condições existentes no hospital nem se certificando que a equipa é efetivamente multidisciplinar», refere o documento da Associação de Doentes Obesos e ex-Obesos de Portugal (ADEXO).

Intitulado «manifesto público de interesses antagónicos com o Ministério da Saúde», o documento, a que a agência Lusa teve acesso, traça, em seis pontos, críticas à atuação do Governo em relação ao tratamento e prevenção da obesidade.

«Os hospitais públicos já provaram não ter capacidade para diminuir realmente as listas de espera [para consulta e cirurgia] e, mais uma vez, o Ministério utilizou um dos seus artifícios: acabou com o programa de tratamento cirúrgico da obesidade, argumentando que assim os hospitais teriam de operar os doentes, caso contrário seriam passados cheques cirurgia e o hospital de origem do doente arcaria com os custos da mesma», refere a associação.

Acrescenta ainda que, depois, o ministério baixou o valor das cirurgias para os hospitais privados, para que nenhum as aceitasse fazer.

Além disso, os doentes acusam os hospitais de terem cortado ou «limitado bastante» o acesso de doentes à primeira consulta para não terem listas de espera associadas.

«À ADEXO interessa que morram menos doentes nas listas de espera por falta de tratamento, para o ministério será claramente uma redução de custos», indica o manifesto, sublinhando que a morte causada pela obesidade é o facto contra o qual a associação mais luta.

Para os doentes, morrer numa lista de espera, «sem tratamento» e, muitas vezes, «sem triagem inicial» na marcação da primeira consulta é «um desleixo, uma falta de profissionalismo e uma falta de fiscalização e ação do Ministério da Saúde».

A representante dos obesos diz ainda que está interessada em ajudar a diminuir os custos que estes doentes representam para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), já que ao serem operados reduzem o consumo de medicamentos, de consultas e de exames de diagnóstico e controlo.

Segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, em 2013, os custos indiretos de tratamento destes doentes já ultrapassam os 700 milhões de euros.

O documento, que é lançado na véspera do Dia Nacional de Luta Contra Obesidade, assinalado no sábado, apela ainda a uma intervenção eficaz da Autoridade do Medicamento (Infarmed) no que respeita a garantir a segurança de todos os produtos postos à venda como remédios para tratar a obesidade, que podem assumir a forma de comprimidos, cápsulas, ampolas ou chás.

«Ao Ministério da Saúde parece interessar que os doentes continuem a ser fortemente prejudicados na saúde. Importante e imperioso seria legislar para controlar estes lobies [ligados ao produtos para reduzir peso] que, ao provocarem efeitos de peso ¿yo-yo¿ ou outros mais perigosos, enviam dezenas de doentes para as urgências dos hospitais», escreve a ADEXO.