As jornalistas da TVI que investigaram a rede de adoções ilegais da IURD em Portugal questionam a Segurança Social sobre a colocação das crianças no lar ilegal referido na série informativa "O Segredo dos Deuses".

"Não entendo como é que a Segurança Social colocava crianças neste lar ilegal. Houve crianças entregues pelas avós, que eram fiéis da IURD, a IURD também fazia evangelização nos bairros sociais e dizia para entregarem as crianças naquele lar", contou Alexandra Borges.

A Segurança Social revelou hoje que participou esta alegada rede ao Ministério Público, que também já abriu um inquérito sobre o caso.

"A Segurança Social finalmente assume que o lar é ilegal, mas não explica por que enviou para lá as crianças", disse Judite França, relembrando que "as mães acreditavam que deixavam ali os filhos de forma provisória".

Presente no mesmo debate, na TVI24, a juíza do tribunal de menores de Cascais Florbela Sebastião e Silva referiu que "o tribunal não fiscaliza as instituições".

"Para uma criança ser colocada numa instituição, tem de haver um juízo de ela estar em perigo e quem indica ao tribunal essa instituição é a Segurança Social."

Também o procurador do Ministério Público Mello Breyner afirmou que esta "realidade" teve de ser construída pela Segurança Social ao tribunal.

“Há aqui uma série de elementos que falham completamente. Tudo aponta para que as crianças tenham sido retiradas do lar e levadas para o estrangeiro, uma violação flagrante das normas da adoção internacional.”

Segundo o mesmo procurador, mesmo havendo uma adoção legal, esta pode ter razões ilegais que a justificam. 

“Desde logo o facto de os pais quererem visitar os filhos e não poderem. Tudo o resto é uma realidade que é ficcionada ao tribunal. A coisa mais natural do mundo em qualquer adoção do mundo é chamar os pais para serem ouvidos, que não foram.”

A juíza Florbela Sebastião e Silva admite que, neste caso, a colocação da criança no estado de adotabilidade "parece estar viciada ou corrompida".

A jornalista da TVI Alexandra Borges explicou que o tribunal autorizava as crianças a viajar com "uma protetora" ao estrangeiro, mas não que fossem viver para fora de Portugal em definitivo.

Já a jornalista Judite França destacou que a reportagem de investigação encontrou "nove crianças que foram retiradas aos pais desta forma brutal" e que "muitas não conhecem o seu passado". 

Há mesmo o caso de uma mãe que não quer identificar as filhas, porque não quer colocar em causa a vida que têm hoje. Uma mãe que chegou a dormir à porta deste lar ilegal para as ver e que contratou uma advogada, na altura, para a defender. "De nada lhe serviu", terminou.

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