O Testamento Vital existe há três anos, mas só no ano passado ficou devidamente operacional. Um estudo da Universidade Católica revela, agora, que grande parte da população desconhece o que é este documento. 

78 % dos portugueses não sabe o que é, como fazer e a quem recorrer. 22 % sabe o que é, metade deste valor sabe como o fazer e a quem recorrer, mas apenas 1,4 por cento já o realizou.

Manuel Luís Capelas é professor e presidente da Associação portuguesa de Cuidados Paliativos e esteve, esta segunda-feira, no programa Diário da Manhã, da TVI, a explicar o que é o Testamento Vital.

Para que se perceba o valor do documento, este professor começa por explicar diferenças: “O testamento normal é uma diretiva, pós morte, no sentido de partilha de bens, de algumas vontades mas, essencialmente, é delegar na família ou outras pessoas os bens da forma que se deseja”.
 

“O testamento vital é completamente diferente. Enquanto ainda estou com as minhas capacidades cognitivas de consciência e capacidade de decisão, eu antecipar, se assim o desejar, as minhas orientações medicas, perante uma provável situação em que eu não tenha esse poder de tomada de decisão”, explica.


“Seja porque estou inconsciente ou porque tenho uma doença que evolui e perco essa capacidade de decisão”, acrescenta.
 

Na verdade Manuel Luís Capelas considera que “não é surpreendente que só 1,4 % o tenha feito. O que é surpreendente é que só 22 % das pessoas saiba o que é”.


Numa sociedade em que existem cada vez “mais doenças avançadas, incuráveis, progressivas e um acréscimo significativo de demências” este especialista lamenta que poucos conheçam “um direito” por inerência.

O documento que tem uma validade de cinco anos, tendo de ser repetido depois, “não é uma situação absoluta”. Além de se poder delegar as decisões numa determinada pessoas, Manuel Luís Capelas lembra que é sempre possível os profissionais de saúde alterarem a decisão “de forma fundamentada”.

Mas um dos problemas para a falta de conhecimento das pessoas quanto ao Testamento Vital está na área da saúde, de acordo com o estudo agora conhecido.
 

“Os profissionais de saúde apenas contribuem para esta informação em cerca de 3%”, o que é, na opinião do professor, manifestamente pouco. “O principal veículo de transmissão de informação têm sido os órgãos de comunicação social” e isso não chega.


Até porque, para que alguém possa tomar uma decisão “tem de ter um conhecimento profundo” sobre a sua situação clínica.

O estudo da Universidade Católica revela ainda que os habitantes da grande Lisboa são aqueles que revelam maior conhecimento sobre o documento, na ordem dos 33 %, enquanto na região norte apenas 17 % dos inquiridos disse saber em que consiste.